Se fosse um país, classe C brasileira estaria entre
os 20 maiores do mundo
Impulsionada pelo
aumento da renda e da oferta de crédito, uma parcela relevante da população
ascendeu das classes D e E, nos últimos anos, para a classe C e passou a ser
chamada de nova classe média. Cerca de 108 milhões de pessoas estão nessa
camada social que movimentou nada menos que R$ 1,17 trilhão em 2013.
Com renda mais alta e crédito farto, a nova classe média foi às compras.
Reformou a casa, comprou móveis, trocou o tanque pela máquina de lavar roupa e
comprou TV de LCD: um dos símbolos da melhoria de vida. Parte desse grupo
passou a frequentar academia de ginástica, contratou TV a cabo e internet banda
larga. Por tudo isso, a classe média é responsável por 58% do crédito no
Brasil.
Se a classe C brasileira fosse um país, estaria no G-20, o grupo das 20
maiores nações do mundo. Ficaria em 12º lugar em população e seria a 18ª nação
em consumo.
Segundo o Instituto Data Popular, especialista no assunto, a classe
média está mais presente na Região Sudeste. Nela, vivem 43% das pessoas nessa
faixa de renda. Em seguida, aparece o Nordeste, com 26%. No Sul, moram 15% das
pessoas da classe C. Já o Centro-Oeste tem apenas 8% dessa população. E na
Região Norte, estão os 8% restantes.
Entre os jovens da classe C, que somam 19% da população dessa faixa de
renda, 57% têm emprego com carteira assinada, 72% acessam a internet e já se
endividaram. A maior parte desse contingente da população, 39%, tem idade média
de 40,4 anos e 48% têm ensino fundamental completo.
O grupo mais escolarizado soma 16% dessa classe. Nessa parcela, 42%
cursam ou já concluíram o ensino médio e 19%, o ensino superior.
Mas é também essa classe que está mais suscetível à alta de preços. Seu
orçamento doméstico é mais comprometido com o grupo alimentos e bebidas, que
tem subido bem acima da inflação média nos últimos dois anos. Em 2012, a alta
fora de quase 10%, contra a inflação média de 6%. No ano passado, a alta se
aproximou de 9%.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acompanha a
variação de preços de famílias que ganham até seis salários mínimos, faixa de
renda na qual se encaixa a classe C, está subindo um pouco acima do outro
índice, o IPCA, que orienta o sistema de metas de inflação do governo e mede a
oscilação de preços de famílias que ganham até 40 salários mínimos. Em abril, o
INPC foi de 0,78% contra 0,67% do IPCA.
O aumento dos ônibus urbanos, que ficou represado no ano passado com as
manifestações, também deve pesar mais no bolso da classe C este ano.
O
Globo 25/05/2014
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 27.05.2014 07h14m
Nenhum comentário:
Postar um comentário