Ciclo eleitoral custa cerca de R$ 9,5 bilhões
aos cofres públicos
O ciclo eleitoral completo para presidente, governadores, senadores,
deputados, prefeitos e vereadores custou nos últimos quatro anos cerca de R$
9,5 bilhões. Os dados foram levantados pelo Contas Abertas e incluem doações
recebidas pelos partidos, o fundo partidário e a isenção fiscal concedida às
emissoras para a transmissão do horário eleitoral gratuito.
O valor gasto com o ciclo eleitoral supera, por exemplo, os R$ 8,1
bilhões previstos para 45 obras de mobilidade urbana da Copa 2014. Além disso,
o valor é maior do que os investimentos (obras e compra de equipamentos) de 38
dos 39 ministérios no ano passado. Apenas o Ministério dos Transportes investiu
mais do que R$ 9,5 bilhões em 2013.
O valor mais significativo na soma do Contas Abertas foi o das receitas
das campanhas eleitorais de 2010 e de 2012: R$ 6,3 bilhões. O montante se
refere às doações realizadas para comitês, partidos e candidatos nas duas
últimas eleições.
O segundo item de maior peso foi o valor do horário eleitoral
obrigatório. Entre 2010 e 2013 quase R$ 2 bilhões deixaram de ser arrecadados
em impostos para compensar as perdas com publicidade das empresas de rádio e
televisão, que são obrigadas à divulgação da propaganda partidária e eleitoral.
Se considerados os últimos quatro anos, 2010 foi o exercício mais “caro”
para a população, quanto à isenção fiscal do horário eleitoral, ocasião em que
deixaram de ingressar nos cofres públicos R$ 851,1 milhões. A soma dos
montantes arrecadados nos anos de 2011 a 2013 foi de R$ 1,1 bilhão. A previsão
para 2014 é que a isenção atinja R$ 839,5 milhões.
Já o Fundo Partidário custou R$ 1 bilhão aos cofres públicos nos últimos
quatro anos. O fundo repassou aos partidos em 2013, R$ 294,2 milhões (quantia
recorde de desembolso do Fundo). Nas eleições de 2010, o total repassado foi de
R$ 160 milhões quase a metade do montante do ano passado.
O fundo é constituído por dotações orçamentárias da União, multas,
penalidades, doações e outros recursos financeiros atribuídos por lei. O valor
anual destinado a cada agremiação é definido de acordo com a votação anterior
de cada sigla à Câmara Federal. Os repasses, contudo, podem ser suspensos caso
não seja feita a prestação de contas anual pelo partido ou esta seja reprovada
pela Justiça Eleitoral, conforme artigo 37 da Lei n° 9.096/95.
De acordo com o cientista político da Universidade de Brasília,
Octaciano Nogueira, o aumento dos recursos utilizados no ciclo eleitoral é
reflexo do contexto econômico que uma democracia está inserida. “A prática das
eleições sofre influência econômica porque os partidos e candidatos possuem
interesses e necessidades e atuam de acordo com essas características”, afirma.
Para o professor, no entanto, sempre há melhores formas de utilização
dos recursos, como, por exemplo, no caso do Fundo Partidário e da isenção
fiscal. “Esses são os recursos públicos do ciclo eleitoral e não deveriam
depender dos desmandos de partidos. A má utilização desses recursos produz
efeitos negativos numa democracia, que como a nossa depende do sistema
econômico para ser efetiva”, explica.
Como o cidadão paga a conta
Por meio do montante movimentado no ciclo eleitoral pode-se estimar o valor
que cada eleitor e cada cidadão brasileiro teria pago nos últimos quatro anos
(2010/2013) para esse viés. No caso, cada eleitor (todo brasileiro maior de 18
anos, até os 70 anos, sendo facultativo o voto para, analfabetos, maiores de 16
e menores de 18 anos e os maiores de 70 anos) “gastou” cerca de R$ 66,54. E
cada cidadão “financiou” R$ 46,56.
Contas Abertas 13 de maio de 2014
Dyelle Menezes e Thaís Betat
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 16.05.2014 08h39m
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