Prestação de contas eleitoral deve ser em tempo
real, afirma especialista
Sociedade civil quer transparência máxima do financiamento das campanhas
eleitorais. Dentro de transparência, inclui-se prestação de contas em tempo
real, como requerido pelo juíz eleitoral e fundador do Movimento Contra
Corrupção Eleitoral, Márlon Reis, e teto do valor de campanha, lembrado pelo
economista e fundador do Contas Abertas, Gil Castello Branco.
Reis enfatizou que, com o avanço tecnológico dos últimos anos, já
poderia ser disponibilizado ao eleitor o acompanhamento em tempo real da
prestação de contas do partido. Em outras palavras, os partidos deveriam
informar qualquer doação no mesmo dia que recebida em sistema público
informatizado.
“O modelo de prestação de contas em tempo real já está estabelecido em
diversas democracias. Com o favorecimento da transparência seria possível
verificar a realidade da campanha com a realidade das movimentações financeiras
dos partidos”, explica.
Reis lembrou que para além da discussão de quem está autorizado a doar,
a transparência depende dos mecanismos disponíveis para que os fiscalizadores
exerçam o controle necessário.
Para estas eleições, reconheceu-se o avanço obtido em relação a
transparência com o fim das doações ocultas, mas também acredita-se que é
preciso uma reforma política muito mais ampla para um pleito limpo. Além dos
representantes da sociedade civil já citados, o fundador do movimento Adote um
Distrital, Diego Ramalho, o vice procurador-geral eleitoral, Eugênio Aragão, e
o ministro e ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio Mello
defendem que, para tanto, é preciso, indubitavelmente, proibir as doações de
pessoas jurídicas aos partidos políticos.
De acordo com o secretário-geral do Contas Abertas será necessária
também a fixação de limites que reduzam os custos das campanhas eleitorais. “O
teto já é previsto em lei desde 1965, mas, como depende do próprio Legislativo
para ser fixado, não tem eficácia”, aponta.
Castello Branco afirma que devem ser definidos o teto nacional e os
tetos regionais, compatíveis com os PIBs estaduais e municipais, por exemplo.
“Essa medida pode atenuar os efeitos do poder econômico nas campanhas. Tetos
iguais para cargos e regiões, associados à transparência plena quanto às
receitas e despesas, irão desidratar o caixa 2, pois os próprios candidatos
estarão de olho nos adversários”, explica.
Com o conjunto dessas ações, atingiria-se um dos pilares de sustentação
da democracia, ressaltado pelo vice procurador geral eleitoral: eleições
igualitárias
Fim das doações ocultas
Para Gil Castello Branco, fundador do Contas Abertas, a grande avanço
das eleições de 2014 está no fim das doações ocultas. Nova resolução do
Tribunal Superior Eleitoral exige os CPFs e os CNPJs dos doadores originais nas
prestações de contas. De acordo com Castello Branco, cerca da 90% das doações
realizadas para as campanhas ficavam sem possibilidade de identificação da
fonte.
Contas Abertas 15 de maio de 2014
Dyelle Menezes e Gabriela Salcedo
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 16.05.2014 08h56m
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