STF VAI JULGAR LADRÃO DE DUAS GALINHAS
Quando a subtração de
uma galinha e de um galo (valor de R$ 40,00), que foram devolvidos ao dono, se
torna um processo relevante para a Justiça, desde a primeira instância (São
João Nepomuceno-MG) até chegar ao STF, passando pelo TJMG assim como pelo STJ, ela
emite mais um sinal inequívoco do seu degradado estado terminal, em razão da
sua avançada degeneração moral e ética, geradora de embotamento mental assim
como a perda da sensibilidade típica dos humanos. É a barbárie vencendo
novamente a esperança iluminista de progresso e civilização, em virtude do uso
da razão.
Está absolutamente falido o modelo de Justiça criminal,
cruel e brutalmente injusto, desenhado no final do século XVIII pela burguesia
ascendente, para a proteção dos seus interesses. Nos países em que essa Justiça
desumanizada se atrelou ao capitalismo selvagem (caso do Brasil), que não tem
nada a ver com o capitalismo “escandinavizado” evoluído, distributivo e
tendencialmente civilizado, praticado na Dinamarca, Suécia, Holanda, Suíça,
Bélgica, Nova Zelândia etc., tornou-se imensa sua brutalidade
anticivilizatória.
Não é preciso ser jurista nem juiz para se saber,
conforme as regras intuitivas do bom senso comum de qualquer pessoa do povo,
que ninguém apoia a subtração do que quer que seja, independentemente do seu
valor intrínseco; ao mesmo tempo, que é um absurdo incomensurável instaurar um
processo criminal e movimentar toda máquina judiciária (até chegar à Máxima
Corte) pela subtração de uma galinha e um galo.
Essa subtração constitui um fato atípico (atipicidade
material, conforme o ministro Celso de Mello – HC 84.412-SP). Logo, não há que
se falar em crime. Sem crime não pode haver processo. Algo que nunca deveria
ter sido iniciado acaba de chegar ao STF (e o ministro Fux não deu liminar para
encerrar o caso de uma vez por todas). Vamos acompanhar atentamente pela TV
Justiça a sessão do STF que vai debater e julgar a acusação do furto de uma
galinha e um galo, cometido por um jovem de 25 anos.
O novo modelo de sociedade e de Justiça (“escandinavizado”)
ainda não nasceu e o velho modelo degenerado (do capitalismo selvagem
brasilianizado) ainda não morreu. Apresenta sinais evidentes do seu esgotamento
terminal. Mas a desgraça é que nunca podemos esperar nada desta fase “do fim do
mundo”, onde tudo só tende a piorar (o modelo de Justiça que praticamos ainda
vai vitimizar milhões de pessoas, até seu sepultamento final, que vai ocorrer
por consenso ou, desgraçadamente, por uma nova Queda da Bastilha de 14 de
julho).
POR
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE -14.04.2014 10h00m
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