Injustiças na aposentadoria
Ruy Martins Altenfelder Silva
A diferença
entre as aposentadorias pagas pelo INSS e as recebidas pelo funcionalismo
federal evidencia quanto os benefícios concedidos a quem dedicou a vida de
trabalho na iniciativa privada são escandalosa e injustamente menores. Pesquisa
divulgada pela imprensa no início do ano mostra que 10,8 milhões de aposentados
urbanos ficavam com a remuneração média mensal de R$ 1.240 - reajustados
sistematicamente abaixo da inflação -, contra valores que variavam entre R$
6.558 (Poder Executivo) e R$ 25.225 mil (Poder Legislativo), atualizados com
indicadores melhores. Além dessas disparidades, há aspectos que seriam
pitorescos se não fossem trágicos. Por exemplo, segundo os levantamentos,
servidores ativos do Judiciário chegam a ganhar menos do que os inativos: R$
13.375 contra R$ 16.726.
Especialistas defendem a unificação dos dois sistemas de
aposentadoria, apoiando-se em vários argumentos. Um deles: o governo destina
menos de R$ 50 bilhões por ano para cobrir o déficit previdenciário de mais de
30 milhões de beneficiários, ao mesmo tempo em que canaliza mais de R$ 60
bilhões para atender menos de 1 milhão de servidores federais inativos. A
própria Associação Nacional dos Servidores da Previdência e da Seguridade
Social aponta para outro risco: o envelhecimento da população. Hoje, mais de um
terço dos 30 milhões de benefícios pagos pelo INSS já se destina a pessoas com
mais de 65 anos. Esse número deverá crescer ainda mais com o aumento da
expectativa de vida, que poderá chegar ao pico de 84,5 anos até 2060, enquanto
via diminuindo a faixa demográfica dos brasileiros em idade produtiva.
Registre-se, a bem da verdade, que nos últimos anos a legislação
vem limitando as distorções: em 2003 acabou com a paridade entre servidores
ativos e inativos; em 2012, determinou que funcionários do Executivo
contratados a partir de 2013 terão o valor da aposentadoria limitado ao teto
previdenciário da época. Com isso, quem quiser receber mais terá de contribuir
para um recém-criado fundo de pensão complementar. São bons passos. Mas ainda
urge corrigir a remuneração dos milhões de aposentados do setor privado.
* Ruy Martins Altenfelder Silva é presidente da Academia Paulista
de Letras Jurídicas (APLJ)
por SEGS 17/04/2014
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE -18.04.2014 08h24m
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