REMÉDIO CUBANO PODE FAZER PARTE DE ACORDO COM OS
EUA
Um
medicamento cubano com potencial de evitar amputações de pés e pernas por
complicações do diabetes deve entrar na agenda da aproximação de Cuba com os
EUA.
A droga
Heberprot-P foi criada pelo Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia de
Cuba e está em uso na ilha desde 2007. No Brasil, ainda passará por estudos
clínicos que atestem sua eficácia e segurança.
Por causa
do embargo dos EUA a Cuba, o estudo e a comercialização de medicamentos cubanos
em território americano são proibidos.
Nos
últimos anos, várias instituições médicas americanas, como Harvard, pediram ao
governo permissão para realizar estudos clínicos com o Heberprot-P, mas sem
sucesso. Anualmente, 73 mil diabéticos sofrem amputações de pés e pernas por
complicações da doença nos EUA.
A maioria
desses casos decorre de úlceras (lesões na pele) nos pés e pernas que não
cicatrizam e acabam gangrenando. Nesses casos, é preciso amputar, pois senão a
infecção pode se espalhar pelo organismo e há risco de morte. O medicamento
ajuda a acelerar a cicatrização.
A
esperança agora é que o remédio entre nas conversações diplomáticas entre
Washington e o governo de Raúl Castro, juntamente com outras questões como a
imigração, viagens e empreendimentos comerciais.
"A
comunidade médica americana quer que o Heberprot seja autorizado a entrar no
país para testes. Testando-o, vamos saber se ele realmente vai salvar os
milhares de membros que muitos acreditam que o faça", afirma o cirurgião
Kelman Cohen, professor emérito na Virginia Commonwealth University.
Em
congresso científico em dezembro, pesquisadores cubanos mostraram que a droga
já foi usada em 170 mil pacientes de 23 países, com 71% de eficácia. Eles não
revelaram, porém, quais seriam esses países nem detalhes sobre os testes.
Procurado
pela Folha, o centro de engenharia genética cubano não se manifestou.
Em
dezembro de 2013, 111 parlamentares americanos enviaram documento à Casa Branca
também pedindo a permissão para a droga ser testada nos EUA. Agora, eles devem
reforçar o pedido, segundo os médicos.
"É
triste saber que pode haver algo lá fora que tem potencial de salvar pés e
pernas [dos diabéticos] e não podemos testá-lo por causa da política", diz
David Armstrong, professor de cirurgia na Universidade do Arizona.
Segundo a
médica Maria Cândida Parisi, responsável pelos ambulatórios de pé diabético da
Unicamp e da USP, os resultados parecem promissores, mas são necessários
estudos maiores e bem controlados para comprovar o benefício. "Hoje não há
nenhuma medicação eficaz que evite a amputação de pés."
FOLHA DE SÃO PAULO ONLINE 28 de janeiro 2015
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 30.01.2015 10h57m
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