"Só vejo vantagens" (sobre a vinda de médicos estrangeiros)
Ricardo
Noblat
Enviado por Ricardo Noblat - 26.8.2013 | 8h00m
Sem
tolices, por favor. Queriam o quê? Que precisando contratar médicos para fixar
no interior do país o governo não o fizesse só por que os nossos têm outros
planos? Ou então que contratasse estrangeiros, mas não cubanos por que eles
vivem sob uma ditadura?
Com
quantas ditaduras o Brasil mantém relações? Sabe em que governo o Brasil reatou
relações diplomáticas com Cuba? No do conservador José Sarney. Pois não é?
Desembarcaram
por aqui no último fim de semana os 400 médicos cubanos que aceitaram trabalhar
durante três anos nos 701 municípios rejeitados por brasileiros e estrangeiros
em geral inscritos no programa “Mais Médicos”.
São
municípios que exibem os piores índices de desenvolvimento humano do país, 84%
deles situados no Norte e no Nordeste. Os nossos médicos brancos e de olhos
azuis não topam servir onde mais precisam deles.
Médicos
brancos e de olhos azuis... (Olha o racismo aí, gente!) O que eles querem mesmo
é conforto, um consultório para chamar de seu e bastante dinheiro. Igarapés?
Mosquitos? Casas de pau a pique? Internet lenta? Medicina, em parte, como uma
espécie de sacerdócio? Argh!
Mas a
Constituição manda que o Estado cuide da saúde das pessoas. E para isso ele
lançou um programa. Acusam o programa de ter sido concebido sob medida para
reeleger Dilma. E eleger governador de São Paulo o ministro Alexandre
Padilha, da Saúde.
Outra vez
suplico: “sin tonterías, por favor”. Queriam o quê? Que podendo atender o povo
e ganhar uns votinhos eles abdicassem dos votinhos?
Sarney
(ele insiste em voltar!) inventou o Plano Cruzado em 1986 para manietar a
inflação. Manietou-a tempo suficiente para vencer a eleição daquele ano. Com a
falência do plano foi apedrejado no Rio.
O Plano
Real elegeu Fernando Henrique. O que restou do plano o reelegeu.
O Bolsa
Família reelegeu Lula, que elegeu Dilma, que terá de suar a camisa para se
reeleger. Andar de moto não sua...
Ah, mas
um programa ambicioso como o “Mais Médicos” deveria ter sido discutido
exaustivamente pela sociedade antes de começar. Deve ter sido discutido, sim,
pelo governo, ouvidos também seus marqueteiros.
Importa
que funcione bem. Do contrário a gente mata a bola no peito e sai por aí
repetindo até perder a voz: “Eu não disse? Não disse?”
Outra
coisa: quem sabe o fracasso do programa não derrota Dilma? Hein? Hein? Ela é
tão fraquinha... Não fará falta. Se comparado com ela, Lula faz. No mínimo era
mais divertido.
Médico
cubano não fala português direito! (Ora, tenham dó. Eu passo.) Não podem ser
tão bem preparados. Podem e são. Estão em dezenas de países. Até no Canadá. Até
na Inglaterra.
Ministro
da Saúde, José Serra foi à Cuba conhecer como funcionava o sistema de
atendimento médico comunitário. Voltou encantado.
No final
dos anos 90, o governo do Tocantins importou 210 médicos, 40 enfermeiros e oito
técnicos cubanos. Sucesso total.
Sei:
coitado do médico cubano! A maior parte dos R$ 10 mil mensais a que terá
direito ficará com o seu governo. E ele não poderá trazer a família. Os demais
médicos estrangeiros poderão trazer a mulher e até dois filhos.
Também
tenho pena deles. E deixo aqui como sugestão: entre tantas passeatas marcadas
para 7 de setembro por que não fazemos uma pedindo o fim da ditadura cubana? Ou
pelo menos melhores salários para os médicos da ilha? Já pensou? Abrindo a
passeata, representantes de entidades médicas. De jaleco. Atrás, um mar de
bandeiras vermelhas para animar a turma. Fechando a passeata, o bloco dos
vândalos. E tudo filmado pelos ninjas!
Compartilho
o receio de os médicos estrangeiros se frustrarem com a carência de
equipamentos no Brasil. Se eles faltam até nas maiores cidades, imagine nas
terras do fim do mundo? Se faltam remédios... Ainda assim é melhor ter médicos
a não tê-los.
Em certos
casos só se resolve problema criando problema. E haverá sempre o recurso à
passeata. Se negarem o que pedimos... Se rolar grossa pancadaria...
Cuide-se,
Dilma!
Adicionado por blog do SINPROCAPE - 26.08.2013 09h13m
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