No Brasil Econômico: "Terceirização preocupa governo"
Postado
por rt em 31 julho 2013 às 10:00
Planalto
tenta construir proposta de consenso entre centrais sindicais e empresas para
fazer andar projeto de lei
O
governo federal articula um novo texto para substituir o relatório do deputado
Arthur Maia (PMDB-BA) sobre o projeto de lei (PL) 4330/2004, que regulamenta os
contratos de mão de obra terceirizada. A nova proposta, que será apresentada
até segunda-feira, é vista como a única solução para resolver o impasse que
ainda opõe as centrais sindicais e os empresários. As partes negociam alterações
ao relatório de Maia desde meados de julho por intermédio do Palácio do
Planalto.
Os
maiores insatisfeitos são os trabalhadores do setor bancário, ligados à Central
Única dos Trabalhadores (CUT), que conseguiram apoio do PT para rejeitar a
propôsta. Na última reunião do Diretório Nacional, o PT aprovou uma resolução
que orienta a bancada na Câmara a trabalhar pela rejeição do projeto, que tem
votação marcada para o próximo dia 13 de agosto na Comissão de Constituição e
Justiça (CCJ) da Câmara, onde tramita em caráter terminativo.
Ontem
pela manhã a CUT se reuniu com a bancada de outras quatro centrais sindicais -
Força Sindical, UGT, CTB e Nova Central Sindical - para tentar fechar um
direcionamento comum para o impasse. A decisão foi continuar as negociações
para que se possa avançar no maior número possível de pontos reivindicados
pelas centrais. A avaliação é a de que as centrais não terão força para impedir
o avanço do PL 4330 na Camara, que vem sendo alvo de intenso lobby empresarial.
O
governo já apresentou sugestões de alterações para parte do projeto e deverá
concluir o trabalho ao longo desta semana. Segundo o secretário de relações do
trabalho, Manoel Messias, uma das contribuições foi propor uma definição melhor
dos serviços especializados, que poderão ser considerados como válidos para
decisões de terceirização de setores produtivos - este conceito é o que vai
nortear as decisões das empresas. "Já prevíamos os pontos que seriam os
mais polêmicos na negociação e agora estamos apresentando propostas para
aproximar soluções", afirma.
No
entanto, a proposta ainda precisará ser digerida por empresários e centrais
sindicais porque toca em um ponto travado nas negociações - o dos
correspondentes bancários. O relatório de Maia prevê que a terceirização deverá
ser feita considerando a especialização da empresa contratada. Mas as centrais
adicionam mais uma condição: a de que as terceirizadas pertençam ao mesmo ramo
de negócios da empresa contratante. Neste ponto o deputado não concorda.
Segundo ele, a medida prejudicaria centenas de municípios dos rincões do país
que dependem dos correspondentes bancários instalados em pequenos comércios,
como mercearias. "A terceirização condicionada ao mesmo ramo de negócio da
contratante acabaria com o modelo que garante serviços bancários no
interior", afirma.
Mas,
na opinião das centrais, a regra, se mantida, facilitará a disseminação de
correspondentes bancários também nas capitais e nas grandes cidades do país, o
que esvaziaria as agências convencionais, causando a diminuição dos postos de
trabalho do setor bancário. "O critério de objeto social único não se
aplica aos correspondentes bancários. A minha proposta é manter o texto que
está lá fazendo ressalvas para a regulamentação posterior da matéria",
afirma.
Apesar
de impasses ainda considerados de difícil solução, Maia acredita que vários
dilemas já foram superados e atendem às reivindicações dos trabalhadores. Um exemplo
deles é que já há consenso em torno da questão da quarteirização - quando uma
terceirizada vende para outra empresa o contrato sob o qual estava vinculada
com a contratante. Segundo Maia, a mudança é que a quarteirização não será mais
permitida para a totalidade do contrato e sim apenas para uma parcela
específica e que esteja pautada em justificativas técnicas.
Dentre
os temas ainda em discussão, permanecem a questão da responsabilidade solidária
na qual os trabalhadores querem ter o direito de acionar judicialmente a
empresa contratante, como resposta a casos de descumprimento de normas
trabalhistas por parte da empresa terceirizada. E a exigência de que a
contratada disponibilize aos terceirizados os mesmos benefícios trabalhistas de
saúde, alimentação e segurança que oferece aos funcionados diretos.
Bancários,
ligados à CUT, estão entre os maiores insatisfeitos com a proposta do PL da
terceirização. O PT aprovou resolução que orienta a bancada a trabalhar pela
rejeição do projeto
A
responsabilidade solidária ainda é questão polêmica. Por ela, trabalhadores
poderiam acionar judicialmente a contratante, por infrações trabalhistas da
empresa terceirizada
Publicado
em 31/07/2013 no Brasil Econômico. Por Ruy Barata Neto.
Por blog do SINPROCAPE
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