Mais de 70% dos médicos
cubanos vão para o Norte e Nordeste
22/08/2013 - 15h07
Camila Maciel
Repórter da Agência
Brasil
São Paulo – A maioria
dos médicos cubanos (74%), que chegarão ao Brasil na próxima segunda-feira
(26), vai trabalhar nas regiões Norte e Nordeste, informou hoje (22) o
secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa.
"A vantagem dos acordos bilaterais é que eles estão vindo para aqueles
locais onde o Brasil indica que é preciso um médico. São regiões que não foram
escolhidas pelos médicos brasileiros nem estrangeiros", explicou. O
secretário participou, durante a manhã, de um encontro preparatório sobre o
Programa Mais Médicos com representantes de prefeituras paulistas.
O anúncio da
contratação de profissionais de Cuba foi feita ontem (21) pelo ministro da Saúde,
Alexandre Padilha. Espera-se que, até o final do ano, 4 mil médicos cheguem ao
país. Nesta primeira etapa do acordo, que inicia na segunda-feira, 400
profissionais desembarcam no Brasil e mais 2 mil são aguardados no dia 4 de
outubro. Eles vão passar pelo mesmo processo de avaliação dos médicos com
diploma estrangeiro e não precisarão revalidar o diploma.
Os cubanos vão suprir
a demanda de 701 municípios que não foram escolhidos por nenhum médico na
primeira chamada do programa. "São médicos que se dispõem, que têm muita
experiência em missões internacionais e já atuaram em outros países. Dentro de
um acordo bilateral, eles vão trabalhar em locais onde há infraestrutura e um
acolhimento da prefeitura", destacou Barbosa.
O secretário rebateu
a crítica de entidades médicas brasileiras de
que esses profissionais estariam vindo ao país em regime de semiescravidão.
"Todos esses médicos estão vindo voluntariamente. Terão previdência paga
pelo ministério. Alimentação e moradia paga pelo município. Dificilmente isso
se assemelha a qualquer coisa parecida com escravidão", respondeu.
Especificamente sobre
os médicos de Cuba, Barbosa reforçou que o Brasil repassará ao governo cubano a
mesma quantia destinada aos demais profissionais, R$ 10 mil. O repasse será
feito por intermédio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). "Nós
repassamos o recurso para a Opas, que, por sua vez, passa ao Ministério da
Saúde de Cuba, que paga os cubanos. Eles vão receber o salário que o governo
paga em missões no exterior", apontou, sem informar o valor.
Segundo o secretário,
cerca de 30 mil médicos cubanos trabalham em outros países, como Haiti e
Venezuela. "Não podemos pagá-los diretamente. O governo cubano só aceita
enviar através de um acordo bilateral", disse. Ele relembrou que essa
prática, de importação de médicos, já foi adotada no Brasil, na década de 1990,
quando a maioria dos médicos da atenção básica em Roraima, no Tocantins e em
alguns estados do Nordeste era de Cuba. "Nunca soubemos de nenhum erro
desses médicos e nenhum problema de imperícia. Nem mesmo que tenha havido
denúncia de trabalho escravo", declarou.
Barbosa informou que
esses profissionais, assim como os demais contratados, terão alimentação e
moradia custeados pelo governo municipal. "Pela formação mais completa que
eles têm, específica em atenção básica de saúde, nada indica que eles não vão
prestar um excelente trabalho agora", defendeu. Ele aposta que a
contribuição do país parceiro terá impacto, sobretudo, na redução da
mortalidade infantil, dos casos de tuberculose, de hanseníase. "Eles vão
fazer com que essas pessoas tenham mais acesso à saúde", declarou.
Adicionado por blog do
SINPROCAPE - 23.08.2013 07h21m
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