Os brasileiros ainda esperam uma resposta
Gil Castelo Branco, O Globo
Enviado por Ricardo
Noblat - 30.07.2013 / 17h35m
Há várias frases anedóticas que
expressam a incompetência dos governos. O americano Milton Friedman, vencedor
do Prêmio Nobel de Economia em 1976, afirmava: “Se o governo administrar o
deserto do Saara, em cinco anos faltará areia.” Já o economista Delfim Netto
prognosticou: “Se o governo comprar um circo, o anão começará a crescer.”
Nas recentes manifestações sociais as
reivindicações foram difusas, mas tiveram como pano de fundo a péssima
qualidade dos serviços públicos (saúde, educação, segurança e mobilidade
urbana) frente à elevada carga tributária e à corrupção deslavada.
Decorridos quase dois meses do início
das mobilizações, poucas foram as respostas efetivas. A presidente Dilma
reuniu-se com uma dúzia de ONGs chapas-brancas e empurrou o pepino para o
Legislativo, ao propor uma constituinte “inconstitucional” exclusiva sobre a
reforma política e, posteriormente, ao sugerir temas óbvios para um plebiscito
relâmpago e inviável. Além disso, propôs pactos que não se consumaram.
Nesse contexto, o Mais Médicos gerou
mesmo foi mais confusão. Mas, se a intenção for mesmo consultar a sociedade,
são várias as perguntas em relação às quais a enorme maioria dos brasileiros
gostaria de responder “Sim” ou “Não”.

Apostaria no “Sim” em várias
situações como: redução para menos da metade dos 39 ministérios. Corte de 2/3
das 22.417 funções comissionadas de Direção e Assessoramento Superior (DAS).
Férias de somente 30 dias para os membros do Legislativo e do Judiciário, como
ocorre com qualquer trabalhador. Redução da quantidade de deputados federais,
estaduais e vereadores. Votação imediata dos 130 projetos de lei relativos ao
combate à corrupção, engavetados há anos no Congresso Nacional. Redução para
1/3 dos gastos com publicidade na União, estados e municípios. Julgamento
imediato dos mensalões (PT, PSDB e DEM) e dos processos que envolvem
parlamentares, a começar pelo do presidente do Senado. Proibição do uso de
recursos públicos ou de isenções fiscais para bancar aquelas propagandas
partidárias, repetidas, irritantemente, nos horários nobres. Fim dos suplentes
de senadores sem votos. Maioridade penal aos 16 anos, para exterminar o “sou di
menor”. Proibição para que parlamentares condenados pelo Supremo Tribunal
Federal continuem legislando, a seu favor ou contra aqueles que os condenaram.
Fim do voto secreto no Congresso. Ampliação da Ficha Limpa para todas as
instâncias e Poderes. Fim do imposto sindical obrigatório que retira
compulsoriamente do trabalhador o valor correspondente a um dia de trabalho por
ano em prol de sindicatos (alguns fictícios), militantes e dirigentes com
fortunas amealhadas sabe-se lá como. Esse plebiscito do bem daria um livro.
Por outro lado, creio que surgiria um “Não”
sonoro às propostas que implicam em dar mais poder e dinheiro aos caciques
políticos. Dessa forma, parecem mínimas as chances de os brasileiros
concordarem em votar em uma “lista fechada” de candidatos definida pelos
“proprietários” dos partidos, bem como de aprovarem o financiamento público
exclusivo das caríssimas campanhas eleitorais, à custa dos impostos pagos.
Neste ano, mesmo sem eleições, os partidos políticos irão receber do orçamento
da União (via Fundo Partidário) R$ 294,2 milhões, além dos R$ 300 milhões das
isenções fiscais concedidas aos veículos de comunicação pelas inserções
políticas publicitárias.
Gil Castello Branco é economista e fundador da organização não
governamental Associação Contas Abertas.
Por blog do SINPROCAPE
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