MUITA MALDADE PARA UM GOLPE
SÓ. A LEI DA SELVA NO TRABALHO
Milagre da
modernização prometido por Temer embute ataques sem precedentes a direitos
trabalhistas e sociais e, ao invés de reverter, tende a agravar a recessão
Os presentes de final de ano do governo Temer para os
trabalhadores – "Belíssimo", como definiu o presidente – foram um
conjunto de propostas que, como de hábito, ganhou o rótulo de
"modernização" ou "atualização" das leis trabalhistas, uma
forma suave de apresentar seu pacote. Talvez sob inspiração da época, o
ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, declarou que as mudanças, se
implementadas, têm potencial para estimular a criação de mais de 5 milhões de
empregos. O mesmo número do período 2010/2011, por exemplo, de forte
crescimento econômico e expansão do emprego formal, em um cenário oposto ao
atual.
As medidas permitem que
convenções coletivas se sobreponham à lei em algumas situações, incluindo temas
como parcelamento de férias, divisão da jornada de trabalho, deslocamento in itinere (de casa para o trabalho), intervalo
intrajornada e banco de horas. Aumenta para 120 dias o período de trabalho
temporário e mantém o Programa de Proteção ao Emprego (PPE), criado no governo
Dilma, que passa a se chamar Programa de Seguro-Emprego (PSE). Outra proposta é
de eleição de um representante dos empregados em empresas com mais de 200
funcionários.
A
CUT aponta o pacote como "ineficaz" contra a crise e afirma que, ao
contrário do noticiado pelo governo, não participou de qualquer negociação
sobre o tema. A central "é contra toda e qualquer retirada de
direitos", ressalta o presidente da entidade, Vagner Freitas. A CTB também
não foi ouvida nem apoia as propostas. Para a entidade, trata-se de impor a
"lei da selva" no mercado de trabalho. "Ninguém, no movimento
sindical, é contra a livre negociação, muito menos novas conquistas dela
decorrentes, que nossa legislação trabalhista prevê e até estimula", diz a
central, acrescentando que a lei proíbe negociar a redução de direitos,
"coibindo acordos que ficam abaixo, e à margem, das garantias previstas na
CLT".
A
Força Sindical, cujo presidente (Paulo Pereira da Silva, o Paulinho) é aliado
do governo, avaliou que a maioria das propostas é positiva. Já a UGT criticou,
inicialmente, a apresentação por meio de uma medida provisória –
posteriormente, o Executivo decidiu encaminhar o pacote via projeto de lei,
deixando apenas o PSE na MP 761. Decisão "prudente e sensata",
segundo o presidente da central, Ricardo Patah. O Projeto de Lei nº 6.787
chegou ao Congresso em 23 de dezembro.
O
pacote trabalhista se junta a outras medidas que têm efeito sobre o mercado de
trabalho, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, de
"reforma" da Previdência, que desconsidera desigualdades da sociedade
brasileira e aumenta o período para que um trabalhador consiga se aposentar
pelo teto, entre outras maldades. Também deve-se considerar outra PEC, a 55,
que limita gastos primários da União, com impacto evidente sobre áreas
cruciais, como saúde e educação. E, como sempre, sem mexer no pagamento de
juros, que sangra continuamente nossa economia.
O
governo sinaliza com a "livre negociação" em um momento de recessão
econômica, queda da atividade e diminuição da confiança, ao contrário do que os
arautos do impeachment previam meses atrás. Segundo esses modernizadores do
atraso, bastava remover a presidenta Dilma Rousseff para o país voltar aos
trilhos. Não é o que se vê. A previsão predominante é de economia estagnada em
2017. É nessa conjuntura, com desemprego ainda em alta, rendimento menor,
endividamento das famílias e crédito restrito, que os sindicatos deverão se
sentar à mesa de negociação. E ainda paira sobre a cabeça dos trabalhadores
projetos como o de ampliação da terceirização.
O
pacote natalino também incluiu a apresentação de medidas microeconômicas.
"O conjunto de medidas anunciadas pelo governo, no entanto, não é um
programa de estímulo à economia e não será capaz de impulsionar a atividade
produtiva. Esperava-se do governo um conjunto de iniciativas que mobilizasse
investimentos e retomasse o consumo interno, com o Estado assumindo papel de
indutor da empreitada de tirar a economia da recessão", diz o Dieese.
É
dessa forma que o governo propõe o milagre do crescimento.
Apesar
de tudo, e porque a esperança nunca pode faltar, que 2017 traga também boas
notícias aos brasileiros, que não deixam de acreditar em um país de
oportunidades, mais justo e menos desigual – o que inclui governantes direta e
legitimamente eleitos.
Fonte: REDE BRASIL ATUAL 04 de janeiro 2017 19h17m
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 21.01.2017 06h06m
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