MINISTRO INSISTE QUE
REFORMA DA CLT É 'ATUALIZAÇÃO', MAS OUVE 'NÃO'
Representantes
das confederações dizem que governo adotou proposta da CNI e chamam de
"monstrengo" item que prevê negociado sobre o legislado
Ministro
Ronaldo Nogueira sustenta que não há ataque a direitos, mas adota proposta de
reforma da CNI
Em reunião com o Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST), que reúne
19 confederações, o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, reafirmou que o
projeto de "atualização" da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)
não retira direitos, mas mesmo assim ouviu negativa da entidade. O coordenador
do fórum, Artur Bueno de Camargo, disse que o governo adotou propostas da
Confederação Nacional da Indústria (CNI). O encontro ocorreu ontem (17), em
Brasília.
"Alertamos
o ministro de que a reforma pretendida pelo governo não traz qualquer solução
para o grande problema do trabalhador, que é o desemprego, ou para frear a
rotatividade", afirmou Camargo em entrevista à Agência
Sindical. "Reforma que não estimule o emprego nem aponte para
o crescimento pode interessar ao capital, mas não atende ao trabalhador.
Achamos muito ruim o governo adotar as propostas da CNI", acrescentou o
dirigente, que preside a Confederação Nacional dos Trabalhadores na
Alimentação (CNTA/Afins).
"Nossa
disposição para o diálogo é permanente. Aceitamos discutir um projeto de
reforma que seja construído de forma coletiva e não gestado pelo governo e
imposto de cima pra baixo à classe trabalhadora. Há mudanças cabíveis,
inclusive na CLT. Cabe identificar esses pontos e discutir formas de
atualização", afirmou ainda o coordenador do fórum, que chamou de
"monstrengo" o item que possibilita a acordos coletivos prevalecerem
sobre alguns tópicos da legislação.
"Nossa
proposta não ameaça nenhum direito. Estamos oferecendo ao trabalhador, por meio
da representação sindical, a forma mais vantajosa de usufruir desses
direitos", disse o ministro do Trabalho. "Minhas relações cotidianas
são com os trabalhadores. Não há nenhuma hipótese de o ministro Ronaldo
Nogueira subtrair direitos dos trabalhadores. Quero dizer do respeito que tenho
pelos sindicatos e reafirmar meus objetivos de fortalecer o movimento
sindical."
Assim como
fizeram as centrais sindicais, em carta ao presidente Michel Temer, os
dirigentes das confederações pediram para que o Projeto de Lei 6.787, de
reforma trabalhista, não tramite na Câmara em regime de urgência. De acordo com
o Ministério do Trabalho, Nogueira vai conversar com "setores do governo
para analisar a viabilidade" do pedido dos sindicalistas. E reafirmou que
aceita discutir melhoras na proposta. "Não vemos dificuldade de buscar
consenso nessa caminhada, mas é fundamental a disposição para o diálogo."
Fonte: REDE BRASIL ATUAL 18 de janeiro 2017 14h32m
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 19.01.2017 09h27m
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