MINISTÉRIO
PÚBLICO DO TRABALHO CONDENA REFORMA TRABALHISTA
Um estudo elaborado por 12 procuradores do
Trabalho pede a rejeição por completo de dois projetos de lei e a alteração na
redação de outros dois
Relatório Estudo dos procuradores do trabalho trata, entre outros pontos, do aumento da jornada
“Foi
deliberado que haja uma prévia discussão à tramitação destas propostas”,
afirmou o procurador-geral do trabalho, Ronaldo Fleury.
O Ministério Público do Trabalho (MPT)
afirmou na última terça-feira 24, que são "inconstitucionais" as mudanças
na legislação trabalhista propostas pelo governo federal, que tramitam no
Congresso. O estudo, elaborado por 12 procuradores do Trabalho, pede a rejeição
por completo de dois projetos de lei e a alteração na redação de outros dois.
Para os procuradores, as mudanças contrariam
a Constituição Federal e as convenções internacionais firmadas pelo Brasil.
Além de gerarem insegurança jurídica, têm impacto negativo na geração de
empregos e fragilizam o mercado interno.
Ao final da reunião do MPT com centrais
sindicais, associações que atuam no âmbito da Justiça do Trabalho e outras
entidades, os integrantes assinaram um documento, intitulado "Carta em defesa
dos direitos sociais". O texto de duas páginas teve, segundo o MPT, a
assinatura de 28 entidades, entre elas, a Central Única dos Trabalhadores
(CUT), a Força Sindical e a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho
(Anamatra).
O texto diz que "é da maior importância
que as propostas não tramitem sem que seja promovido um grande e profundo
debate com toda a sociedade". Segundo o documento, todas as entidades
concordaram que não pode haver discussão em regime de urgência dessas propostas.
"Foi deliberado que haja uma prévia discussão à tramitação destas
propostas", afirmou o procurador-geral do trabalho, Ronaldo Fleury.
Outra resolução da reunião foi a criação do
Fórum de Defesa do Direito do Trabalho. "Se há necessidade ou não de
alteração da CLT, que haja efetiva participação da sociedade nessas discussões.
O fórum está sendo criado hoje e a partir daí a ideia é que possamos discutir
com o governo, o Legislativo e o Judiciário sobre as reformas", afirmou.
O procurador-geral do Trabalho disse também
que "o intuito não é qualquer atuação político-partidária, mas, sim, a
atuação na defesa dos direitos sociais e na defesa dos direitos dos
trabalhadores".
As quatro notas técnicas que compõem o estudo
do MPT abordam a prevalência do negociado sobre o legislado, a flexibilização
da jornada, o regime de tempo parcial, a representação de trabalhadores no
local de trabalho, a terceirização da atividade-fim, o trabalho temporário e a
jornada intermitente. Segundo o texto dos procuradores, tudo isso está sendo
"imposto de forma a provocar um grande desequilíbrio nas relações entre
empregados e empregadores no país".
Os dois projetos que os 12 membros do MPT
querem ver descartados são o PL 6787/2016, que, segundo os procuradores, impõe
a prevalência do negociado sobre o legislado, e do PLS 218/2016, que permite a
terceirização da atividade-fim por meio do chamado "contrato de trabalho
intermitente".
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: DIARIO DE PERNAMBUCO 25 de janeiro 2017 07h31m
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 30.01.2017 09h04m
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