STF INFLOU NÚMEROS PARA LEVAR MAIS VERBA DA UNIÃO
Dados
do plano de saúde da instituição foram alterados e, assim, a suprema corte
recebeu mais do que deveria em repasses federais nos últimos três anos; em vez
dos verdadeiros 4,2 mil beneficiários, o Supremo Tribunal Federal informou ao
Ministério do Planejamento números 50% maiores, entre 6,1 mil e 6,7 mil; nos
últimos três anos, foram repassados, em média, R$ 15 milhões a cada ano ao
STF-Med; sem os fantasmas, o gasto médio com o plano seria de R$ 9,4 milhões;
ou seja: a diferença acumulada soma quase R$ 16,8 milhões; Joaquim Barbosa
promete, agora, corrigir o erro.
Brasil
247
No momento em que vende para a sociedade a imagem
de espada da nação e tem um presidente frequentemente cogitado como eventual
presidenciável, o Supremo Tribunal Federal deveria ficar mais atento aos seus
procedimentos internos. Uma reportagem do jornalista Vinicius Sassine,
publicada neste domingo no jornal O Globo, revela que a instituição inflou
dados do seu plano de saúde para receber mais verbas da União.
O erro – ou a fraude – aconteceu nos últimos três
anos, quando a instituição teve dois presidentes: os ministros Ayres Britto,
que já se aposentou, e Joaquim Barbosa, que hoje comanda a instituição. Em vez
de informar ao Ministério do Planejamento o número real de servidores atendidos
pelo plano de saúde, que é de 4,2 mil usuários, o STF transmitiu dados
incorretos, entre 6,1 mil e 6,7 mil beneficiários do STF-Med, um generoso plano
de saúde, que custeia todas as despesas médicas dos servidores.
Essa distorção fez com que o Ministério do
Planejamento repassasse, nos últimos três anos, um valor médio de R$ 15 milhões
ao STF, em razão dos gastos com o plano de saúde. Sem os
beneficiários-fantasma, o valor correto seria de R$ 9,4 milhões. Ou seja: há
uma diferença anual de R$ 5,6 milhões, que, multiplicada por três, elevaria o
valor da fraude para R$ 16,8 milhões.
Essa quantificação é importante, no momento em que
parlamentares importantes estão presos ou prestes a ir para a cadeia em razão
de desvios morais. O ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), é
acusado de ter "desviado" R$ 1 milhão da Câmara dos Deputados, num
desvio inexistente, uma vez que se trata de comissões de agência, pagas por
veículos como Globo, Folha e Abril, a uma agência de publicidade, por serviços
efetivamente prestados. Todo o processo licitatório foi feito por servidores da
casa, como também, provavelmente, ocorreu no caso das informações falsas
prestadas pelo STF ao Ministério do Planejamento.
Ao ser procurado pelo repórter, o STF deu uma
explicação curiosa. Informou que a estimativa era feita com base no número de
potenciais casamentos de funcionários e nascimentos. Ocorre que um aumento de
4,2 mil usuários para 6,7 mil representa um aumento de mais de 50%.
Atualmente, a presidente do conselho deliberativo
do STF-Med é a ministra Rosa Weber. Ela e o presidente da casa, Joaquim Barbosa,
informaram que serão tomadas "medidas saneadoras", como reajuste das
contribuições dos servidores, redução de gastos e contratação de um estudo
atuarial para balizar outras ações.
O
fato, porém, é que o erro de R$ 16,8 milhões já ocorreu. Em tempos de
condenações por "domínio do fato", exige-se mais cautela dos gestores
públicos.
15 DE DEZEMBRO DE 2013 ÀS
07:10
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 16.12.2013 08h00m
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