Pressões do salário mínimo

Os reajustes do salário mínimo acima da inflação
ajudaram a aumentar o poder aquisitivo do consumidor, mas abriram rombos nas
contas do setor público que têm de ser cobertos por arrecadação de impostos
que, por sua vez, tirarão renda do consumidor.
Pela regra definida em 2011, o salário mínimo de
2012 a 2015 (inclusive), é corrigido pela variação do Índice Nacional de Preços
ao Consumidor (INPC) acrescido do avanço do PIB apurado dois anos antes. Assim;
o salário mínimo de 2013 foi calculado com base no avanço do PIB de 2011 e o de
2014 será com base no PIB de 2012.
Até o final de 2014, o governo federal deverá
encaminhar ao Congresso projeto de lei que definirá as novas regras que
vigorarão a partir de 2016.
Pelos cálculos do Instituto Brasileiro de Economia
da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), entre dezembro de 2012 e dezembro de
2013, o salário mínimo teve uma correção real (acima da inflação) de 81,4%, o
que dá um avanço médio de 5,6%, substancialmente superior ao crescimento do PIB
no período.
O principal impacto desse ajuste não foi no poder
aquisitivo dos trabalhadores do setor privado (formal ou informal), mas no
setor público. Nada menos que 20,6 milhões de pessoas recebem ao menos um
salário mínimo mensal da Previdência Social, como aposentadoria ou benefício
social regulado pela Lei Orgânica da Assistência Social. Só no INSS, 67% dos
beneficiários recebem salário mínimo e, portanto, têm sua renda reajustada de
acordo com esse critério. Também estão vinculadas ao salário mínimo as despesas
com seguro-desemprego. Em novembro, o ministro Guido Mantega se mostrou
espantado com o déficit (R$ 47 bilhões) nas contas do seguro-desemprego, num
ano em que a desocupação atinge 4,6% da força de trabalho (dados de novembro).
Em parte, isso ocorreu em consequência das atuais regras para o reajuste do
salário mínimo.
Além da massa de beneficiários remunerada pelo
governo federal, há ainda a fatia enorme de funcionários públicos estaduais e
municipais, cuja renda também está atrelada ao salário mínimo. Enfim, o impacto
do reajuste sobre as contas públicas é enorme.
O governo terá de negociar num ano eleitoral ou a
extensão das atuais regras ou novas regras que entrarão em vigor em 2016 e
deverão ser observadas até 2019, inclusive. A FGV calcula que, se os atuais
critérios de reajuste do salário mínimo se mantiverem, as transferências de
recursos do governo federal para as áreas da previdência e da assistência
social subirão de 9,6% do PIB em 2013 para 10,7% do PIB em 2019.
Do ponto de vista político, se for reconduzida para
um segundo mandato, a presidente Dilma terá motivos para um empenho maior em
conter o salário mínimo, porque sabe o efeito de um reajuste mais generoso para
a administração federal. Mas, para isso, terá de enfrentar a campanha dos
sindicatos, que começará bem antes de outubro, com o calendário eleitoral como
instrumento de pressão.
Atualizado:
25/12/2013 02:02 | Por CELSO MING, estadao.com.br
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 25.12.2013 08h20m
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