CONGRESSO
PERDE LEGITIMIDADE PARA APROVAR REFORMAS
Por Tereza Cruvinel
Uma das consequências imediatas da
abertura de inquéritos contra os integrantes da lista de Fachin é a erosão da
legitimidade do Congresso para aprovar as reformas previdenciária e
trabalhista, que suprimem direitos e afetam duramente a vida dos trabalhadores.
É difícil que a sociedade aceite passivamente a aprovação de tais medidas por
um Congresso que conta com 24 senadores e 42 deputados entre os 98
investigados, sendo que 65% deles integram a base governista. Entre eles, os
relatores das duas reformas (deputado Arthur Maia e deputado Rogério Marinho,
respectivamente) e os presidentes das duas Casas, Rodrigo Maia (Câmara) e
Eunício Oliveira (Senado), sem falar nos outros parlamentares que já respondem
a processos no STF.
Temer não vai demitir nenhum de seus
nove ministros arrolados e aproveitou as solenidades palacianas de hoje para
dizer que o Governo não pode parar e que Congresso deve prosseguir com as
reformas. A fuga, entretanto, foi a resposta do Congresso à divulgação da
lista. Na tarde desta quarta-feira, deputados e senadores anteciparam a pausa
da Páscoa e deixaram Brasília. As reações da sociedade às reformas
ganharam combustível com a lista de Fachin, fortalecendo o movimento pela greve
geral anti-reformas do dia 28.
Com
a revelação do imenso volume de recursos recebidos da Odebrecht por
parlamentares, soará como escárnio a aprovação, por eles, de medidas como a
aposentadoria só aos 65 anos ou as regras trabalhistas que, revogando a CLT,
instauram uma acentuadas precarização das relações trabalhistas. Fosse no
sistema parlamentarista, este Congresso seria dissolvido e novas eleições
convocadas. Inclusive para a presidência da República, visto que Temer só não
está entre os investigados porque desfruta da imunidade temporária contra atos
precedentes ao mandato.
O
melhor que este governo faria, agora, seria retirar do Congresso as duas
propostas de emenda constitucional.
Uma
reforma política é urgente, isso é pacífico. Mas nem ela desfrutará da confiança
popular se vinda do atual Congresso. Quanto mais a crise se agrava, mais se
impõe como necessária a convocação de uma nova Constituinte, ainda que
destinada somente a estabelecer novos fundamentos para o sistema político.
A lista de Fachin atinge 16 partidos,
sendo que 14 deles compõem a coalizão governista: PMDB (16 investigados), PSDB
(13), PP (9), DEM (5), PSD (6), PSB (4), PR (4), PRB (3), PTC (1), SD (1), PPS
(1) PMN (1), PTdoB (1) e PTB (1). Na oposição, o PT tem o maior numero
individual de investigados, que chegam a 20, e o PC do B tem três. Esta
distribuição atesta a natureza sistêmica da crise gerada pela investigações da
Lava Jato, que agora entra na fase da deslegitimação.
Embora
com o maior número de investigados, a lista de Fachin proporciona pelo menos um
trunfo ao PT. Agora está claro que o partido não inventou o caixa dois nem as
relações espúrias com os fornecedores do Estado. Fez o que os outros sempre
fizeram. Não devia ter feito mas não inventou o modelo.
Fonte: BRASIL 247 12 de abril 2017
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 14.04.2017 05h51m
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