JUÍZES TRABALHISTAS: BRASIL VIROU SELVA
A Associação
Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), que representa
cerca de 4 mil juízes do Trabalho, lamenta a aprovação pela Câmara do
projeto que libera a terceirização irrestrita em todos os setores do Brasil; a
entidade ressalta que o texto "não trata de matéria de interesse da
população" e "contribuirá apenas para o empobrecimento do país e de
seus trabalhadores", ao "instituir como regra a precarização nas
relações laborais", "agravar o quadro em que hoje se encontram
aproximadamente 12 milhões de trabalhadores terceirizados" e aumenta
fatores como "rotatividade" e "acidentes de trabalho";
"A aprovação da proposta, induvidosamente, colide com os compromissos de
proteção à cidadania, à dignidade da pessoa humana e aos valores sociais do
trabalho previsto no artº 1º da Constituição Federal", protestam os
juízes, que apelam a Michel Temer para que vete o texto

A Associação Nacional dos Magistrados
da Justiça do Trabalho (Anamatra), que representa cerca de 4 mil juízes do
Trabalho, divulgou uma nota nesta quinta-feira 23 em que diz lamentar a aprovação do PL nº 4302/98,
na noite desta quarta-feira 22 pela Câmara dos Deputados, que libera a
terceirização irrestrita em todos os setores do Brasil.
A entidade ressalta que o projeto "não trata de matéria de
interesse da população" e "contribuirá apenas para o empobrecimento do
país e de seus trabalhadores", ao "instituir como regra a
precarização nas relações laborais", "agravar o quadro em que hoje se
encontram aproximadamente 12 milhões de trabalhadores terceirizados", e
aumenta ainda fatores como "rotatividade" e "acidentes de
trabalho".
"A aprovação da proposta, induvidosamente, colide com os
compromissos de proteção à cidadania, à dignidade da pessoa humana e aos
valores sociais do trabalho previsto no artº 1º da Constituição Federal",
protestam os juízes, que apelam a Michel Temer para que vete o texto. Confira a
íntegra:
NOTA PÚBLICA
A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho – ANAMATRA,
entidade que representa cerca de 4 mil juízes do Trabalho, tendo em vista a
aprovação, na noite desta quarta-feira (22/3), do Projeto de Lei (PL) nº
4.302/1998, que regulamenta a terceirização nas atividades meio e fim, bem como
na iniciativa privada e no serviço público, vem a público se manifestar nos
seguintes termos:
1 – A proposta, induvidosamente, acarretará para milhões de
trabalhadores no Brasil o rebaixamento de salários e de suas condições de
trabalho, instituindo como regra a precarização nas relações laborais.
2 – O projeto agrava o quadro em que hoje se encontram aproximadamente
12 milhões de trabalhadores terceirizados, contra 35 milhões de contratados
diretamente, números que podem ser invertidos com a aprovação do texto hoje
apreciado.
3 - Não se pode deixar de lembrar a elevada taxa de rotatividade que
acomete os profissionais terceirizados, que trabalham em média 3 horas a mais
que os empregados diretos, além de ficarem em média 2,7 anos no emprego
intermediado, enquanto os contratados permanentes ficam em seus postos de
trabalho, em média, por 5,8 anos.
4 – O já elevado número de acidentes de trabalho no Brasil (de dez
acidentes, oito acontecem com empregados terceirizados) tende a ser agravado
ainda mais, gerando prejuízos para esses trabalhadores, para a Sistema Único de
Saúde e para Previdência Social que, além do mais, tende a sofrer impactos
negativos até mesmo nos recolhimentos mensais, fruto de um projeto completamente
incoerente e que só gera proveito para o poder econômico.
5 - A aprovação da proposta, induvidosamente, colide com os compromissos
de proteção à cidadania, à dignidade da pessoa humana e aos valores sociais do
trabalho previsto no artº 1º da Constituição Federal que, também em seu artigo
2º, estabelece como objetivos fundamentais da República construir uma sociedade
livre, justa e solidária e a erradicar a pobreza, a marginalização e reduzir as
desigualdades sociais e regionais.
6 – Por essas razões, a Anamatra lamenta a aprovação do PL nº 4302/98,
na certeza de que não se trata de matéria de interesse da população, convicta
ainda de que a medida contribuirá apenas para o empobrecimento do país e de
seus trabalhadores.
7 – Desse modo, a ANAMATRA conclama o Excelentíssimo Senhor Presidente
da República, Dr. Michel Temer, a vetar o projeto, protegendo a dignidade e a
cidadania.
Brasília, 22 de março de 2017
Germano Silveira de Siqueira
Presidente da Anamatra
Fonte: BRASIL 247 23 de março 2017 11h30m
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 23.03.2017 11h43m
Nenhum comentário:
Postar um comentário