FLEXIBILIZAR E INFORMALIZAR O
TRABALHO? NÃO, APENAS PRECARIZAR E EXPLORAR
A operação ideológica do neoliberalismo se
vale de palavras tentadoras para passar, de contrabando, suas mercadorias
envenenadas
por Emir
Sader
Luta
contra precarização das condições de trabalho e pela preservação dos direitos
dos trabalhadores deve expandir-se, com fortalecimento dos sindicatos
Para
tratar de baratear ainda mais o custo da força de trabalho, o neoliberalismo
promove o tema da informalização ou da flexibilização das relações de trabalho.
O tema foi introduzido na América Latina pelo economista chileno José Piñera,
então ministro do trabalho de Pinochet, irmão do posteriormente presidente
Sebastián Piñera, ambos proprietários do grupo econômico que, entre outras
empresas, é proprietária da empresa aérea Latam.
Se
valeu, desde o começo, da manipulação verbal e da atração de palavras. O que as
pessoas preferem: a formalidade e a inflexibilidade, ou a informalidade e a
flexibilidade?
As
segundas alternativas parecem mais simpáticas, mas na prática elas representam
trabalhar sem carteira de trabalho, sem direito a sindicalizar-se, sem poder
apelar à Justiça do Trabalho, sem garantia da continuidade no emprego, sem
licença maternidade, e sem outros direitos.
A
palavra real que designa o que o neoliberalismo pretende é
"precarização" das relações de trabalho, trabalhar sem os direitos
formais que só a carteira de trabalho propicia. É ao que foi reduzida a maioria
dos trabalhadores brasileiros na década de 1990, como resultado da política de
barateamento da força de trabalho mediante a terceirização.
O
pressuposto, equivocado, do raciocínio neoliberal é o de que a economia deixa
de crescer em razão do custo da força de trabalho. Na campanha eleitoral à
presidência brasileira de 2014, um dos gurus econômicos dos candidatos
adversários de Dilma chegou a afirmar que "a economia não cresce porque o
salário mínimo é muito alto". Afirmação repetida por FHC, para quem a
baixa produtividade dos trabalhadores não justificaria o salário mínimo pago
aos trabalhadores.
Como
se o custo da força de trabalho fosse um componente importante do preço final
das mercadorias, o que é absolutamente falso. O que se pretende é baratear
ainda mais a mão de obra, aprofundar a super exploração dos trabalhadores,
mediante a retirada dos direitos adquiridos ao longo de suas lutas.
É
um tema que reaparece cada vez que se dá uma virada conservadora. Até pouco
tempo atrás, com praticamente pleno emprego, a questão que se colocava como
central era a diminuição da jornada de trabalho. Mas os trabalhadores e suas
organizações não tiveram a força política nem sequer para colocar a pauta na
agenda prioritária do Congresso.
Quando
se deu a virada conservadora com o golpe que levou Michel Temer ao poder, mudou
a agenda. Pressionados pelo aumento do desemprego, pela difícil defesa dos
salários diante da inflação, os trabalhadores passaram também a ser vítimas de
uma contraofensiva do grande empresariado, que retoma o tema da precarização
das relações de trabalho.
É
uma luta que testa a capacidade de mobilização dos sindicatos, mas que se dá
também ao nível das ideias, das interpretações da realidade das relações de
trabalho. A direita faz do tema da precarização uma continuidade do seu
diagnóstico geral, segundo o qual a economia não cresce pelos gastos excessivos
do Estado e pelo custo supostamente alto da contratação da força de trabalho.
É
preciso contrapor sistematicamente esses falsos argumentos com a visão efetiva
da realidade, segundo a qual os recursos existem, mas estão na especulação
financeira, na sonegação, nos paraísos fiscais. Trata-se é de combater a
especulação baixando a taxa de juros, taxando a livre circulação de capitais,
de combater duramente a sonegação, de atacar os paraísos fiscais.
E
de desenvolver sistematicamente os argumentos com todos os trabalhadores,
provendo-os com as ideias que permitem sua clareza política sobre o problema e
para que possam, por sua vez, expandir esses argumentos para todos os seus
colegas.
Porque
é a hora de fortalecer os sindicatos, demonstrar para os que ainda não estão
sindicalizados, que estes são a grande trincheira de luta para defender os
interesses dos trabalhadores, tanto seus empregos, como seus salários e os
direitos conquistados.
Fonte: REDE BRASIL ATUAL 27 de novembro 2016 11h23m
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 29.11.2016 10h44m
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