SINDICATO DOS EMPREGADOS, VENDEDORES E VIAJANTES DO COMÉRCIO, PROPAGANDISTAS, PROPAGANDISTAS VENDEDORES, PROMOTORES DE VENDAS E VENDEDORES DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS DA CIDADE DE CARUARU, E REGIÕES DO AGRESTE E SERTÃO DE PERNAMBUCO,
FUNDADO EM 02/04/1989 - REGISTRO SINDICAL MTB/SRT 24330.009395/90 - DE 23/05/1989 - Email: sinprocape@sinprocape.org - fone:(81)3722-0063
ASSIM NASCEU O SINPROCAPE
ASSIM NASCEU O SINPROCAPE - Em 06 de Março de 1987 foi fundada na cidade de Caruaru-PE, através do Propagandista Vendedor Sr. Pedro Tiago de Moura, a Associação dos Vendedores e Viajantes Propagandistas de Caruaru, neste mesmo ano, foi realizada uma consulta na Delegacia do Trabalho, tendo a frente o delegado Sr. Gentil Miranda, de como proceder para transformar a mesma em Sindicato, após várias consultas e procedimentos, no dia 02 de Abril de 1989 foi fundado o SINPROCAPE que nos dias atuais dispõem de sede própria na Rua Benjamin Larena, 169 – Bairro Divinópolis-Caruaru, Pernambuco, e assim continuamos trabalhando em prol de nossa categoria como nosso lema propõe : “UNIÃO E COMPROMISSO” .
quarta-feira, 20 de abril de 2016
DIRCURSO DE BOLSONARO DEIXA ATIVISTAS
‘ESTARRECIDOS’ E LEVA OAB A PEDIR SUA CASSAÇÃO
"Estarrecedor". "Execrável".
"Deprimente". Esses foram alguns dos termos usados por ativistas de
direitos humanos ao comentarem a homenagem feita pelo deputado Jair Bolsonaro
(PSC-RJ) ao coronel Ustra, o primeiro militar reconhecido pela Justiça
brasileira como torturador.
A menção foi feita durante a votação no processo de impeachment
da presidente Dilma Rousseff, ocorrida na noite de domingo na Câmara dos
Deputados.
“Pela memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor
de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, pelo Brasil
acima de tudo e por Deus acima de tudo, o meu voto é sim” - foi o trecho final
do discurso de Bolsonaro, em meio a vaias e aplausos.
Durante o regime militar, entre 1970 e 1974, Ustra foi o chefe
do DOI-Codi do Exército de São Paulo, órgão de repressão política do governo
militar. Ali, sob o comando do coronel, ao menos 50 pessoas foram assassinadas
ou desapareceram e outras 500 foram torturadas, segundo a Comissão Nacional da
Verdade.
"Ver essa homenagem ao Ustra deveria chocar e entristecer a
todos que prezam a democracia, independentemente da posição política",
afirmou à BBC Brasil Átila Roque, diretor-executivo da Anistia Internacional no
Brasil.
"Dessa vez Bolsonaro foi além nos seus elogios à ditadura.
Ele, um personagem nefasto, escolheu um momento de grande dramaticidade da vida
democrática brasileira, para fazer uma homenagem ao símbolo mais acabado do
horror da nossa ditadura. Foi chocante."
Ustra era um dos mais temidos militares nos anos de chumbo
'Apologia à tortura'
Na tarde desta terça-feira, a OAB/RJ anunciou que irá recorrer
ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a cassação do mandato de
Bolsonaro.
“Houve apologia a uma figura que cometeu tortura e também
desrespeito à imagem da própria presidente”, disse Felipe Santa Cruz,
presidente da OAB/RJ, em nota. “A apologia à tortura, ao fascismo e a tudo que
é antidemocrático e intolerável. Além da falta de ética, que deve ser apreciada
pelo Conselho de Ética da Câmara, é preciso que o STF julgue também o crime de
ódio.”
Além disso, a entidade informou que pode recorrer à Corte
Interamericana de Direitos Humanos para pedir que o deputado deixe o cargo e
que um grupo de juristas está elaborando um estudo com argumentos e processos
para pedir a cassação.
Para Jessica Morris,
diretora-executiva da ONG Conectas, também é preciso analisar o artigo 287 do
Código Penal. “Ele diz que apologia a um autor de um crime é um crime. Imagino
que ele vá alegar imunidade parlamentar, como já fez outras vezes”, disse à BBC
Brasil.
“Agora, é necessário analisar se existe vínculo do que ele disse
com a função parlamentar. É isso que o STF terá de responder. Porque a
imunidade não pode ser uma carta branca para parlamentares não respeitarem
direitos.”
O professor de direito Octavio Luiz Motta Ferraz, da
universidade britânica King's College Law School, lembra que a jurisprudência
do STF diz que a inviolabilidade (imunidade parlamentar) não é absoluta e
concorda com Jéssica que o artigo 287 poderia ser usado para indiciar o
deputado.
“A discussão seria então sobre se a condenação de Ustra em 2008,
mantida em 2012 pelo TJ-SP, pode configurá-lo (Bolsonaro) como autor de crime.
A condenação foi civil, pois houve anistia aos crimes”, disse Ferraz, em
referência à lei que anistiou os crimes políticos e conexos da época.
'Execrável e lamentável'
Para Maria Laura Canineu, diretora no Brasil da organização
Human Rights Watch, "viver numa democracia, sem censuras, é enfrentar
manifestações lamentáveis como a do deputado Bolsonaro".
"Ela (a declaração) é, no entanto, execrável e
absolutamente violenta à memória de tantos que morreram pelo ideal dessa
própria democracia que ele ataca", completa Maria Laura, dizendo que o
fato de que a fala do deputado representa a visão de algum eleitor no Brasil
"é ainda mais lamentável".
O Tortura Nunca Mais/RJ, um grupo que luta pela memória do
período da ditadura, também rechaçou a homenagem de Bolsonaro.
A presidente da
organização, Victória Lavínia Grabois Olímpio, disse à BBC Brasil que é
"deprimente e estarrecedor ter de ver alguém exaltar a tortura e elogiar
um torturador", mas explicou por que não se espantou tanto.
"Isso acontece porque nenhum dos governos civis que
sucederam os militares fez nada pelos brasileiros mortos, torturados e
desaparecidos", afirmou.
"De Sarney a Collor, Itamar, FHC, que teve papel
predominante contra a ditadura, Lula, um grande sindicalista responsável pelas
greves que iniciaram a ruptura do regime militar, e Dilma, uma militante
barbaramente torturada: nenhum deles tomou ações efetivas contra as mortes,
torturas e desaparecimentos. Militares continuam ocupando cargos no governo e
nenhum dos que cometeram crime de lesa-humanidade foi responsabilizado."
Leniência
A falta de prestação de contas com a época da ditadura também é
apontada por Victória, do Tortura Nunca Mais, como um elemento que criou um
clima onde Bolsonaro pode elogiar um torturador: "O problema é que esse
passado, em geral, já foi esquecido. Até nos livros das escolas ele é pouco
estudado. Só não cai no esquecimento completo por grupos de familiares das
vítimas, que não deixam essa memória se apagar."
Átila, da Anistia,
concorda com a ativista, ao dizer que somente em um país "que não foi
capaz de levar à frente e julgar os crimes da ditadura, é que se aceita
conviver com tamanha naturalidade com elogios como esses."E diretor da Anistia afirma ainda que Bolsonaro só fez a citação
a Ustra pela conivência ou leniência que enfrenta de seus pares."Isso acontece pela maneira como a classe política,
sobretudo o Congresso, tem tratado como galhofa ou mero exagero do
politicamente correto os atos repetidos de Bolsonaro que se aproximam da
incitação à violência e do crime, como aconteceu no caso da deputada Maria do
Rosário", diz.
Em 2014, Bolsonaro disse que não estupraria Maria do Rosário
"porque ela não merece", repetindo uma ofensa que já havia proferido
antes. "O Congresso se transformou em um lugar de conforto para que ele
repita seu discurso de ódio e antidemocrático", afirma Átila.
Fonte: MSN 20 de abril de 2016
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 20.04.2016 08h12m
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