ASSIM NASCEU O SINPROCAPE

ASSIM NASCEU O SINPROCAPE - Em 06 de Março de 1987 foi fundada na cidade de Caruaru-PE, através do Propagandista Vendedor Sr. Pedro Tiago de Moura, a Associação dos Vendedores e Viajantes Propagandistas de Caruaru, neste mesmo ano, foi realizada uma consulta na Delegacia do Trabalho, tendo a frente o delegado Sr. Gentil Miranda, de como proceder para transformar a mesma em Sindicato, após várias consultas e procedimentos, no dia 02 de Abril de 1989 foi fundado o SINPROCAPE que nos dias atuais dispõem de sede própria na Rua Benjamin Larena, 169 – Bairro Divinópolis-Caruaru, Pernambuco, e assim continuamos trabalhando em prol de nossa categoria como nosso lema propõe : “UNIÃO E COMPROMISSO” .

quinta-feira, 19 de junho de 2014

SBT abre o palco para espancadores de mulheres no programa Casos de Família
Jarid Arraes

A televisão brasileira é um verdadeiro espetáculo de misoginia. Entre propagandas que objetificam as mulheres e novelas que exibem estupros inadequados para a faixa etária indicativa da programação, ainda sobra espaço para programas sensacionalistas que promovem o famoso “barraco” na tentativa desesperada de ganhar audiência. Um exemplo desse tipo de baixaria disponível em canais abertos é o caso mais recente do programa “Casos de Família”, exibido na tarde desta segunda-feira pelo SBT.
O programa chegou ao cúmulo de montar o palco para que homens que agridem mulheres falem abertamente que “mulher que não gosta de apanhar, tem que se comportar”. Os homens convidados assumiram que batem, sim, nas mulheres – e apesar da apresentadora Christina Rocha fazer um discurso que soa indignado, o mais revoltante é o fato de que o espaço foi aberto e ninguém ousou “meter a colher” nos crimes. Afinal, por causa das atualizações feitas na Lei Maria da Penha, hoje qualquer pessoa pode denunciar a violência doméstica e a causa não depende mais da vontade da mulher agredida para correr na justiça. Será que ninguém da produção do programa pensou em denunciar porque estavam mais empolgados em criar o circo faminto por polêmica?
Na chamada do programa, que pode ser assistida no Youtube, a pergunta inicial é: “As mulheres devem suportar tudo por amor?”.  Em nenhum momento se questiona qual é a responsabilidade dos homens nessas agressões; pelo contrário, naturaliza-se o tema como problema feminino, sugerindo que tudo é questão de haver mulheres que se submetem a violência. A irresponsabilidade do SBT é chocante e revoltante não só pela forma desastrosa como conduzem o problema, mas principalmente pelo fato de disponibilizarem o espaço para que agressores misóginos tenham voz em rede nacional, onde fizeram ameaças contra suas esposas e outras mulheres e tentaram agredi-las fisicamente em um horário em que até mesmo as crianças estão assistindo televisão.
É quase inacreditável, mas não deve passar sem consequências. Os machistas que assistiram ao programa e se sentiram contemplados pelos espancadores de mulher ali presentes certamente estão muito mais fortalecidos em suas convicções misóginas. Já as mulheres que são vítimas podem acabar com a autoestima ainda mais fragilizada, vendo que até mesmo a televisão permite que a violência doméstica seja propagada livremente. Para fechar o quadro vergonhoso exibido pelo SBT, a psicóloga do programa, que permite ser chamada de “doutora Anahi”, disse que a violência ocorre porque as mulheres se submetem aos agressores. Que tipo de Psicologia é essa?
As feministas já estão se mobilizando e enviando e-mails para órgãos responsáveis, como a Procuradoria Geral da Mulher e o Ministério Público, exigindo que o SBT responda legalmente pelo seu ato de inconsequência e exploração do sofrimento feminino. Vale ressaltar que as denúncias também podem ser feitas ligando para o Disque 180, pois as mulheres ali expostas merecem proteção e têm direito ao cuidado do Estado.

Para o SBT e o programa Casos de Família, deixo a mensagem: o que vocês fizeram é uma vergonha!


Jarid Arraes - integrante do FEMICA, colunista na Revista Fórum, cordelista e graduanda em Psicologia
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 19.06.2014  10h26m

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