Por que aguardar para pedir a revisão do FGTS
Recentemente, a 13ª Vara Federal de São Paulo determinou que a Caixa
atualizasse os saldos do FGTS pela variação do IPCA-E
Embora tenha havido mais uma sentença favorável aos trabalhadores, o
participante do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) deve aguardar a
decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) antes de entrar com a ação de
revisão de seu saldo. A orientação é de advogados trabalhistas. A decisão mais
recente ocorreu no início de junho.
Nela, o juiz Wilson Sahuy Filho, da 13ª Vara Federal de São Paulo,
desconsiderou a suspensão imposta há três meses pelo STJ para o julgamento de
processos que reivindicam a correção maior do fundo e determinou que a Caixa
Econômica Federal atualize os saldos do FGTS pela variação do Índice de Preços
ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E), apurado pelo IBGE, em substituição à
Taxa Referencial de juros (TR).
Em seu despacho, o juiz argumenta que a ação que chegou a suas mãos diz
respeito a um assunto constitucional, que deverá ser decidido pelo Supremo
Tribunal Federal (STF), e não pelo STJ, conforme solicitado.
A sentença beneficia um grupo de trabalhadores filiados a um sindicato
do interior do Estado de São Paulo. A Caixa deverá recorrer da decisão. A suspensão
do trâmite de todas as ações individuais e coletivas que discutem na Justiça a
correção maior do fundo foi determinada em fevereiro pelo ministro Benedito
Gonçalves, do STJ, a pedido da própria Caixa. O banco fez a solicitação diante
das diferentes sentenças emitidas pelas esferas judiciais inferiores.
Reivindicações
Nos processos, os trabalhadores reivindicam a troca da TR por um índice
de inflação na correção dos saldos. Nos últimos anos, enquanto a inflação girou
em torno de 6% ao ano, a variação da TR ficou bem abaixo disso, o que corroeu o
valor das contas do fundo. S
Segundo cálculos do Instituto FGTS Fácil, o reajuste necessário para
repor as perdas dos trabalhadores ocorridas entre junho de 1999 até 2014 é de
102%. Os advogados trabalhistas, no entanto, aconselham o participante a não
ter pressa.
Por
que aguardar
Quem ainda não ingressou com o processo deve aguardar a sentença do STJ.
Primeiro, porque ela deverá ser adotada pelas esferas inferiores.
Se o entendimento dos ministros do STJ for favorável aos trabalhadores,
a tendência é que os processos movidos posteriormente obtenham sucesso.
O segundo motivo é o financeiro. Caso o STJ entenda que não há razão
para a troca de indicadores, além das custas judiciais da ação, os
participantes que moveram processo terão de pagar os honorários dos advogados
da Caixa. A conta pode ficar pesada para o bolso do trabalhador, uma vez que os
honorários correspondem a 20% sobre o valor total da causa.
Pagamento
Os saldos do FGTS serão corrigidos na próxima terça-feira, dia 10, por
0,3041%. Esse porcentual corresponde à variação da TR entre 10 de maio e 10 de
junho, de 0,0574%, calculada pelo Banco Central, mais o juro mensal de 0,25%
pago pelo fundo. Quem estiver em condições de sacar a conta do FGTS deve deixar
para fazer o resgate a partir de terça-feira, assim garantirá o recebimento do
dinheiro acrescido de correção.
Diário do Nordeste 08/06/2014
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 09.06.2014 06h37m
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