PARA JURISTA, REFORMA TRABALHISTA FAZ PARTE DE 'MOMENTO TRÁGICO'
"Se isso não
for revertido, em pouco tempo teremos um estado de grande sofrimento no
ambiente de trabalho", diz o juiz e professor da USP Souto Maior
Para Jorge
Luiz Souto Maior, juiz e professor livre-docente de Direito do Trabalho da
Universidade de São Paulo (USP), pelo excesso de problemas, a reforma
trabalhista que entrará em vigor no próximo sábado (11) criará incertezas
jurídicas e na vida do trabalhador.
"É uma lei (13.467) de tamanha amplitude, mas que foi
aprovada na Câmara dos Deputados em dois meses de tramitação e depois, em três
meses, no Senado. Uma legislação toda ela voltada às preocupações do
empregador.
Muitos
juízes vão adotar posturas diferentes. O que se disse se procurar com essa lei
– segurança jurídica – é o que menos confere. Até porque, em muitos pontos, ela
fere frontalmente a Constituição Federal", critica, em entrevista na manhã
desta terça-feira (7) à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.
Para ele, a reforma faz parte de um momento trágico
do país. "Teremos empresas concorrendo por postos de trabalho
precarizados, e se o assédio moral está sendo posto pela grande mídia e na
própria estrutura do Poder Judiciário com juízes, imagine o que não vai
acontecer nas relações de trabalho propriamente."
O jurista chama a atenção para os problemas que os trabalhadores
enfrentarão, enquanto a "reforma" é debatida entre especialistas e processos jurídicos.
"O empregador vai aplicar da forma que achar que deve e de modo mais
prejudicial para os trabalhadores, com ampliação da terceirização, do trabalho
intermitente, do excesso de jornada, e da concorrência entre os trabalhadores,
ao permitir que se negocie individualmente."
"Dentro dessa possibilidade de ajustes individuais, muitos
aceitarão condições piores de trabalho em detrimento do todo. Se isso não for
revertido em pouco tempo teremos um estado de grande sofrimento no ambiente de trabalho",
acrescenta Souto Maior.
Ele comentou o
fato de veículos de comunicação criticarem a mobilização de magistrados do
Trabalho em relação à reforma. "(A mídia tradicional) está dentro da
lógica da elaboração da lei, que não teve debate democrático, não foi
discutida, não tem participação direta dos profissionais da área jurídica,
médica, sociológica, da economia, foi algo atabalhoado. Não há de se negar que
algumas pessoas foram convidadas a falar do projeto, individualmente, mas não
institucionalmente, e simplesmente não foram ouvidas, foram chamadas para dar
uma aparência de debate e democracia."
Souto Maior também criticou a entrevista do presidente do Tribunal
Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra Filho, ao jornal Folha de S.Paulo, defendendo
flexibilização de direitos sociais a pretexto de se criarem empregos.
"Essa
declaração é reveladora na perspectiva de que essa reforma viria 'para
modernização da legislação do trabalho'. Mas começam a reconhecer que a
legislação está retirando direitos efetivamente, quando existe uma
jurisprudência protetiva que se valeu especificamente da previsão das normas
constitucionais. O que se está fazendo é reduzir direitos para ampliar as
possibilidades de lucro, e os empregos criados por essa lei são sub-empregos,
precarizados", comentou.
Fonte: REDE BRASIL ATUAL - 07 de novembro 2017 - 14h41m
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE - 07.11.2017 - 16h28m
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