SINDICATO DOS EMPREGADOS, VENDEDORES E VIAJANTES DO COMÉRCIO, PROPAGANDISTAS, PROPAGANDISTAS VENDEDORES, PROMOTORES DE VENDAS E VENDEDORES DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS DA CIDADE DE CARUARU, E REGIÕES DO AGRESTE E SERTÃO DE PERNAMBUCO,
FUNDADO EM 02/04/1989 - REGISTRO SINDICAL MTB/SRT 24330.009395/90 - DE 23/05/1989 - Email: sinprocape@sinprocape.org - fone:(81)3722-0063
ASSIM NASCEU O SINPROCAPE
ASSIM NASCEU O SINPROCAPE - Em 06 de Março de 1987 foi fundada na cidade de Caruaru-PE, através do Propagandista Vendedor Sr. Pedro Tiago de Moura, a Associação dos Vendedores e Viajantes Propagandistas de Caruaru, neste mesmo ano, foi realizada uma consulta na Delegacia do Trabalho, tendo a frente o delegado Sr. Gentil Miranda, de como proceder para transformar a mesma em Sindicato, após várias consultas e procedimentos, no dia 02 de Abril de 1989 foi fundado o SINPROCAPE que nos dias atuais dispõem de sede própria na Rua Benjamin Larena, 169 – Bairro Divinópolis-Caruaru, Pernambuco, e assim continuamos trabalhando em prol de nossa categoria como nosso lema propõe : “UNIÃO E COMPROMISSO” .
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
FAGNANI: “REFORMA DA PREVIDÊNCIA É UM MECANISMO DE
MARGINALIZAÇÃO SOCIAL
Seminário que
discutiu a reforma na Previdência contou com a participação do professor da
Unicamp, Eduardo Fagnani; “Não seria mais inteligente, ao invés de cortar na
aposentadoria dos mais velhos, o governo se empenhar no combate à sonegação,
rever as renúncias fiscais ou fazer uma reforma tributária? Entre esses três, o
total poderia atingir mais de R$ 1,3 trilhão! Mesmo que ele tivesse só 30% de
êxito, isso já resolveria toda a questão da Previdência e da dívida pública”,
refletiu o professor Por Renato Bazan, do Portal CTB
Assista o vídeo:
Depois da manhã agitada com os representantes das centrais sindicais e a
contribuição da Associação Nacional dos Auditores Fiscais (Anfip), o Seminário
“Reforma da Previdência: Desafios e Ação Sindical” continuou de forma intensa
na parte da tarde da terça-feira (7), desta vez com presenças de peso do
mundo acadêmico, em especial a do economista Eduardo Fagnani.
O evento utilizou a parte da tarde para traçar em maiores detalhes as
determinações da PEC 287, que tenta promover um desmonte da Previdência Social,
assim como analisar as suas implicações no quadro econômico mais amplo. Para
isso, dois documentos foram apresentados: primeiro, o livro “Previdência:
Reformar para Excluir”, encabeçado pelo próprio Fagnani, que é professor doutor
de Economia na Unicamp; depois, a Nota Técnica 168 do Dieese, nomeada “PEC 287:
A minimização da Previdência pública”, apresentada pela especialista Fátima
Guerra.
“É uma PEC que tem impactos muito profundos, que atinge toda a classe
trabalhadora”, analisou Guerra, em meio à explicação das regras propostas pela
PEC 287. A extensão de sua fala dá uma boa ideia da complexidade do tema: foram
quase 40 minutos apenas descrevendo as mudanças nas regras e suas aplicações a
casos reais. Em alguns momentos, ao descrever os casos mais graves de retirada
de direitos, chegou a tirar gritos indignados da plateia – o exemplo mais
comentado foi a regra recém-proposta de “acumulação de descontos”, pela qual
uma viúva de uma vítima de acidente de trabalho poderia acabar com apenas 34%
do salário original do cônjuge. “Dependendo da situação, essa pensão pode até
mesmo ficar abaixo do salário mínimo”, disse a especialista.
Modelo que deu errado
A primeira análise das consequências da PEC foi apresentada por Fagnani,
ao comentar sobre a produção de seu livro. O documento, preparado para
subsidiar a ação sindical e parlamentar, traz dados e análises sobre 14 temas
ligados à Previdência, argumentando que a PEC 287 servirá de mecanismo de
marginalização social no longo prazo.
“Não seria mais inteligente, ao invés de cortar na aposentadoria dos
mais velhos, o governo se empenhar no combate à sonegação, rever as renúncias
fiscais ou fazer uma reforma tributária? Entre esses três, o total poderia
atingir mais de R$ 1,3 trilhão! Mesmo que ele tivesse só 30% de êxito, isso já
resolveria toda a questão da Previdência e da dívida pública”, refletiu o
professor.
Para ele, o que se tenta fazer é um cópia mambembe das reformas
europeias, mas sem os outros mecanismos de proteção social que já estão
consolidados por lá: “Essa reforma impõe regras ainda mais duras que lá, e tem potencial
para se tornar uma bomba relógio, porque pode fazer com haja uma queda da
arrecadação dramática, conforme as pessoas migrarem para a Previdência privada.
Não tem como você fazer uma reforma no padrão europeu com o nível de
desigualdade e heterogeneidade do Brasil. O Brasil tem muitas realidades, tem
lugar que a expectativa de vida é 50 anos, tem lugar que é 80. Não faz sentido
você tratar como igual quem é desigual!”.
Fagnani concluiu sua fala argumentando advogando por um replanejamento
macroeconômico no país, que respeite as determinações constitucionais. “O que
está em jogo no Brasil não é um ajuste fiscal, é uma mudança de modelo de
sociedade. Essas pessoas jamais aceitaram a Constituição de 88, então hoje o
que nós estamos assistindo é a retomada do modelo capitalista brasileiro em que
você vem aqui, explora e vai embora”, disse.
“Previdência: Reformar para Excluir” será lançado no dia 15 de
fevereiro. Ele virá em duas versões: uma menor, de 40 páginas, e outra muito
mais documentada e detalhada, de 250 páginas.
Envelhecer não é um problema
Acompanhando integralmente essa avaliação, o especialista Frederico
Melo, também do Dieese, aproveitou a reflexão de Fagnani para falar de um tema
que frequentemente é usado para justificar os cortes na Previdência: o gradual
envelhecimento da população.
“O argumento demográfico é algo que sempre aparece quando alguém vai
fazer uma reforma na Previdência. Isso tem sido usado como um argumento
inegável para o desmonte da Previdência”, lembrou. “Se a gente for ler os
motivos da PEC, está lá, é o que sustenta a iniciativa”.
O problema desse raciocínio, segundo Melo, é que, ao focar
exclusivamente no envelhecimento populacional, o governo dá a entender que a
contribuição da População Economicamente Ativa é a única fonte de manutenção da
Previdência, algo que não corresponde à estrutura fiscal brasileira. “A base de
contribuição do sistema é ampla, e inclui contribuições das empresas e do
próprio governo em igual peso para fechar a conta. Então a questão do equilíbrio
vai além do aspecto demográfico. É uma questão fiscal, em primeiro lugar, que
não fecha porque há muita sonegação e pouca participação do governo”, explicou.
Em análise profunda, há inclusive fatores que derivam dessa mesma
questão etária no sentido contrário à restrição de idade. Um dos elementos
citados por Melo é que o impedimento de as pessoas mais idosas se aposentarem
cria uma exército de reserva no mercado de trabalho, que aumenta a competição
por vagas e degrada os salários para todos. Como a contribuição dos
trabalhadores é uma parte significativa da Seguridade, os salários mais baixos
acabam diminuindo a contribuição formal, criando maior dificuldade de
equilíbrio fiscal.
Outro fator preocupante desse enforcamento é que, diante de um cenário
com mais competitividade empregatícia e salários mais baixos, as pessoas tendem
a ter menos filhos, afunilando ainda mais a pirâmide etária brasileira. No
longo prazo, isso poderia criar um cenário no qual uma apenas uma Reforma da
Previdência ainda mais agressiva poderia reequilibrar as necessidades da
população idosa com a capacidade da PEA.
Por último, Melo citou um fator psicológico igualmente importante na
reintrodução de trabalhadores de idade avançada no mercado de trabalho: a
quebra de confiança entre gerações, que pode acontecer se os mais jovens
começarem a se perceber marginalizados pelos seus sêniores. A reação pode ser a
de uma perda de credibilidade do regime de solidariedade que caracteriza a
Previdência Social – algo que empurraria as gerações mais novas para o sistema
privado, onde isso é substituído pela lógica de capitalização.
Novas formas de lutar
A última fala do dia foi a de Antônio Augusto de Queiroz, o Toninho, do
Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. Sua proximidade com o
cotidiano do Congresso Nacional serviu a uma análise tática do enfrentamento à
PEC 287. “O que está acontecendo neste momento é um realinhamento da relação
entre a sociedade e o Estado, que está se distanciando da proteção social que
perseguia o governo anterior. Com a situação que existe hoje no Parlamento, os
campos populares não conseguem nem apresentar uma emenda”, explicou.
Em sua análise, Toninho defendeu a retomada das negociações nos pontos
de menor atrito, quando não for possível fazer oposição direta. “Devemos fazer
um esforço para que a reforma atinja a todos e da forma menos agressiva
possível. Fazer grande pressão sobre parlamentares e divulgar quando algum
deles agir contra os seus eleitores”.
O assessor fez uma recapitulação histórica da luta dos setores
conservadores contra a Previdência: “Esse é a quarta oportunidade que os
defensores do Estado Mínimo estão tendo para acabar com a Seguridade Social no
Brasil. A primeira foi a Constituinte de 88, quando essas pessoas tentaram usar
a legitimidade daquele momento para atacar a Previdência. Naquele momento, os
democratas estavam unidos contra isso. Depois veio as emendas do Itamar Franco,
mas a CPI dos Anões do Orçamento deu ao movimento trabalhista o argumento de
que aquele Congresso não tinha legitimidade para legislar sobre o assunto. Aí
veio a reforma do FHC, e ele conseguiu entregar parte das aposentadorias
naquele momento, mas veio a oportunidade de reeleição e a crise da década 90 e
ele teve que deixar isso de lado. Agora, o Temer tem a chance de finalizar esse
processo, porque tem maioria para isso. Se ele não entregar, vai ser removido,
para que venha alguém que faça. Eles não irão perder a oportunidade de entregar
o que restou da Previdência para o mercado.”
Toninho concluiu pedindo um esforço coletivo para que o movimento
sindical construa novas pontes com a população, inclusive com as pessoas que
foram a favor do impeachment, porque mesmo entre essas pessoas há uma maioria
que é contra as reformas de Temer. “É horas de unir forças contra essas
reformas, fazendo com os dados falem por si só”, disse.
“O que está
acontecendo agora é que o governo está unido enquanto o país está dividido. A
nossa capacidade de reação está comprometida, e eles sabem disso".
Fonte: BRASIL 247 08 de fevereiro 2017 12h09m
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 13.02.2017 09h27m
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