CONGRESSO
EM PELE DE CORDEIRO
Por Paulo Paim Senador pelo PT do Rio Grande do Sul
Chamo a atenção para o fato de que está em
processo avançado uma meticulosa orquestração de grupos do Congresso Nacional
com o objetivo único de liquidar com a nossa legislação trabalhista e social,
alcançada, aliás, com muito sacrifício pelo povo brasileiro. A situação se
acentuou ainda mais nas últimas eleições, com a redução do número de senadores
e deputados compromissados com essas causas. O resultado está sendo terrível:
perda de força, mobilidade e ação. Os conservadores, por sua vez, tomaram quase
totalmente o campo de batalha. Isso vem sendo traduzido nos projetos que estão
sendo apresentados ou reavivados das gavetas do Legislativo.
A Comissão Mista da
MP 680/2015, que institui o Programa de Proteção ao Emprego, chegou a incluir
uma emenda alterando a CLT, prevendo que a negociação em acordo coletivo
prevalecesse sobre determinação legal. Ou seja: o negociado acima do legislado.
As conquistas asseguradas na lei ficariam vulneráveis, correndo o risco de
acabarem: 13º salário, horas extras, vale-transporte, auxílio-alimentação,
entre outros. Felizmente, nesta semana, depois de muita pressão, a proposta foi
rejeitada.
Na mesma esteira, está
o PL 30/2015, que trata da terceirização de qualquer setor de uma empresa,
incluindo a atividade-fim. O projeto enfraquecerá o sistema de negociação
coletiva e o controle judicial. Atualmente, ele tramita na Comissão da Agenda
Brasil, sob minha relatoria. Temos também o PL 450/2015, que cria o Simples
Trabalhista; o PL 1.463/2011, que institui um novo código do trabalho.
A Comissão de
Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, colegiado que
presido pela terceira vez, está alertando o país, através de debates em
Brasília e audiências públicas nas assembleias legislativas dos Estados, sobre
o verdadeiro crime de "lesa-pátria" que está sendo articulado contra
os brasileiros. A Associação Nacional dos Magistrados, além de outras
entidades, também está esclarecendo, reafirmando que esta orquestração
"afronta a Constituição Federal". Portanto, só há uma maneira de
barrar o "fogo do dragão": a mobilização da população nas ruas, dos
estudantes e do movimento sindical e social.
Fonte: BRASIL 247 19 de outubro 2015
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 19.10.2015 14h37m
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