ASSOCIAÇÃO DOS JUÍZES VÊ “RETROCESSO DE 200 ANOS”
COM REFORMA TRABALHISTA
Para o presidente da Associação Nacional dos
Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Guilherme Feliciano, o projeto
de reforma trabalhista do governo contém várias inconstitucionalidades e
deveria ser discutido durante mais tempo; "Sem isso, com o açodamento, o
que teremos é um texto inconstitucional nas mãos de juízes, advogados e
procuradores", afirmou na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do
Senado; A CCJ votará o projeto nesta quarta-feira (28)

Na última fase da
audiência pública que antecede a votação do projeto de lei da
"reforma" trabalhista (PLC 38), encerrada às 19h20, magistrados e
sindicalistas atacaram o texto do governo. Para o presidente da Associação
Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Guilherme Feliciano,
o projeto contém várias inconstitucionalidades e deveria ser discutido durante
mais tempo. "Sem isso, com o açodamento, o que teremos é um texto
inconstitucional nas mãos de juízes, advogados e procuradores", afirmou na
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado. A CCJ votará o projeto
nesta quarta-feira (28).
Ele citou itens como a prevalência do negociado sobre o
legislado, que pode piorar as condições do trabalhador. "Trata-se de uma
possibilidade que não está autorizada pela Constituição, que prevê a alteração
apenas para a melhoria da condição social", observou, criticando ainda
questões ligadas à saúde e à segurança. "O projeto retrocede 200
anos", disse Feliciano.
Para o presidente da CTB, Adilson Araújo, a discussão, complexa,
está acontecendo em um período conturbado, com desemprego recorde, crise
econômica e uma conjuntura política que compreende, "pela primeira vez na
história", um presidente (Michel Temer) denunciado pela Procuradoria-Geral
da República. "Não é possível conceber que, em meio a esse lamaçal, o
Senado não assimile nenhuma das propostas de emendas e remeta para um
presidente denunciado por corrupção o destino dos trabalhadores e
trabalhadoras", criticou. "Essa reforma destrói o futuro."
Para o professor de
Direito do Trabalho da Universidade de São Paulo (USP) Antônio Galvão Peres,
qualquer novidade provoca receio, mas ele se mostrou otimista com as mudanças
propostas. "Na realidade atual, as partes negociam em ambiente de
incertezas", afirmou, apenas lamentando a "falta de discussão
técnica" durante a sessão.
O procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Curado Fleury, disse que
a proposta de trabalho intermitente, contida no PLC 38, poderá resultar em
situação de nenhum pagamento ao trabalhador, conforme a prestação de serviços.
Segundo ele, o Brasil vai "na contramão do planeta" ao adotar a
modalidade.
Com várias manifestações contra e a favor do projeto, o
intervalo entre uma audiência e outra, para refeição, foi objeto de preocupação
do presidente da CCJ, Edison Lobão (PMDB-BA), que tentou agilizar o
encerramento da primeira sessão por volta de 13h30. O breve debate resultou em
observação irônica do senador Lasier Martins (PSD-RS): "Acho que estamos
sendo testados para um dos dispositivos da lei, o almoço não pode passar de
meia hora".
Fonte: BRASIL 247 - 28 de junho 2017 - 06h21m
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE - 28.06.2017 - 07h46m
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