CLT PODE SER MORTA NESTA TERÇA POR UM GOVERNO
ILEGÍTIMO
Único ocupante
da presidência na história do Brasil denunciado por corrupção no exercício do
cargo, além de ter chegado ao poder por meio de um golpe parlamentar, Michel
Temer pode enterrar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), se o Senado
aprovar a reforma trabalhista proposta por seu governo; nesta segunda-feira 10,
a OIT (Organização Internacional do Trabalho) divulgou um documento em que
condena a proposta de reforma, destacando que ela fere convenções brasileiras;
na véspera da votação, manifestantes foram às ruas na Avenida Paulista em
protesto contra a retirada de direitos trabalhistas; confira quais são as
principais medidas
Sem qualquer legitimidade, por ter chegado ao poder por meio de
um golpe parlamentar e ser alvo de denúncia de corrupção passiva, Michel Temer
pode matar conquistas históricas dos trabalhadores nesta terça-feira 11.
O Senado
deverá votar a proposta de reforma trabalhista do governo, depois que a
presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, negou pedido
feito por 18 senadores da oposição para suspender a tramitação.
No mandado de
segurança, os parlamentares queriam a suspensão da tramitação por alegarem a
necessidade da realização de cálculos do impacto da lei nos cofres públicos,
como determinaria a Emenda Constitucional dos Gastos Públicos. Na decisão, a
ministra entendeu que o Judiciário não pode fazer interferência nos atos do
Congresso antes da aprovação da matéria.
Nesta
segunda-feira 10, a OIT (Organização Internacional do Trabalho) condenou a
proposta de reforma trabalhista de Temer, destacando que ela fere convenções
brasileiras. O documento foi uma resposta a consulta feitos por seis centrais
sindicais brasileiras, entre elas CUT e CTB (confira aqui).
Na véspera da
votação, movimentos sociais também foram às ruas em São Paulo para protestar
contra as medidas. Os manifestantes pediram ainda a saída do presidente da
República, Michel Temer, e a realização de eleições diretas para a presidência.
Centrais sindicais também irão se mobilizar em Brasília nesta terça, a fim de
pressionar os senadores para que votem contra a reforma.
Confira
abaixo texto publicado no site do PSOL com as principais medidas da reforma
proposta por Temer, que mostram que ela muito pior do que se imagina.
Reforma trabalhista: ela é pior do que você imagina
Por Clarissa
Viana - O PLC 38/2017, conhecido como a reforma trabalhista, ao que tudo
indica será votado nesta terça-feira (11) no plenário do Senado – colocado na
pauta em regime de urgência, o governo Temer já teria conseguido maioria de
votos dentre os senadores.
Contendo uma
série de vícios legais e dispositivos de flagrante inconstitucionalidade que
inclusive foram apontados em recente parecer elaborado pela Ordem dos Advogados
do Brasil, a OAB, o projeto tem tido sua tramitação acelerada ao máximo a fim
de garantir sua aprovação o quanto antes, a despeito da crise institucional em
curso. A ordem é garantir que ela passe, custe o que custar.
O número de
alterações legislativas contidas na reforma (que atingem desde normas de
direito material até as normas processuais) é tamanho que dificulta, muitas
vezes, a compreensão de sua dimensão e mascara os impactos que, caso aprovada,
ela irá causar aos trabalhadores.
Aqui
destacamos algumas das principais medidas:
1. A
ampliação explícita da terceirização para as atividades-fim das empresas;
2. A
permissão de contratação dos empregados pela via da pessoa jurídica (através da
já conhecida pejotização) e do micro-empreendedor individual (MEI), sem que
isso configure uma relação empregatícia (e, portanto, sem a proteção nas normas
celetistas);
3. A criação
do contrato intermitente, também conhecido como contrato zero-hora, no qual o
empregado é chamado para trabalhar de acordo com a necessidade da empresa e é
remunerado tão somente pelas horas efetivamente trabalhadas, sem uma garantia
de jornada diária e de salário mínimo mensal;
4. A
introdução da figura da rescisão do contato por acordo, onde o trabalhador
dispensado da empresa recebe metade da indenização do FGTS e do aviso prévio,
pode sacar somente 80% dos depósitos feitos no seu FGTS durante o contrato e
perde o direito de se habilitar no programa do seguro-desemprego;
5. A criação
do termo de quitação anual de obrigações trabalhistas, que impede o trabalhador
de posteriormente reclamar as verbas não pagas em uma ação trabalhista para o
período abrangido pelo termo;
6.
Flexibilização da jornada de trabalho através de acordo feito entre o
empregador e o empregado (na instituição do banco de horas e na compensação
12×36), com a permissão de jornada de até 12 horas diárias e 48 horas semanais;
7. A
possibilidade de fracionamento e redução do intervalo intrajornada por
negociação coletiva e de sua supressão nas jornadas de 12×36;
8. A
prevalência do negociado sobre o legislado, através da qual são consideradas
válidas as normas coletivas que preveem menos direitos que a CLT ou a
Constituição Federal;
9. A
permissão do trabalho de grávidas e lactantes em locais com grau de
insalubridade médio ou mínimo;
10. A
limitação das indenizações por dano moral, que passam a ser com base do salário
da vítima.
Como já dito,
essas são apenas algumas das alterações propostas pelo PLC em discussão. Longe
de atingir somente os trabalhadores da iniciativa privada, a previsão de
terceirização de todas as atividades abre margem, inclusive, para o fim dos
concursos e contratação para os serviços públicos através de uma empresa
terceirizada.
A reforma
trabalhista, em suma, representa a corrosão total do Princípio Protetivo que
norteia o Direito do Trabalho, segundo o qual o trabalhador é considerado
hipossuficiente em relação ao empregador, demandando maior proteção legal e
normas que impeçam que este, com seu poder de admissão e demissão, exija
daquele trabalho para além de limites mínimos estabelecidos por lei.
Com suas
alterações, a reforma parte da premissa que não mais existe essa desigualdade
entre as partes, o que não poderia representar disparidade maior com a
realidade social do país.
Acima de
tudo, a retirada de direitos trabalhistas não resolve os problemas que a
reforma pretende sanar: longe de ser medida apta a reduzir os índices
alarmantes de desemprego e perda do poder de compra da classe trabalhadora, em
verdade ela representa o aprofundamento do processo de precarização da vida,
aplicado em escala global e que busca recompor as taxas de lucratividade do capital
no contexto de sua crise estrutural.
Seus efeitos
são particularmente sentidos por mulheres e pela população negra e LGBT, que
compõem a maioria dos trabalhadores precarizados no Brasil.
Lutar contra
a reforma trabalhista, que beneficia os empresários em detrimento da imensa
maioria da população brasileira, deve ser central na agenda da esquerda. Diante
de uma crise que não causamos, não podemos deixar que a sua solução seja o
comprometimento dos nossos direitos e a legalização da submissão dos trabalhadores
a condições desumanas de trabalho.
Fonte: BRASIL 247 - 10 de julho 2017 - 22h01m Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE - 11.07.2017 - 10h21m
Nenhum comentário:
Postar um comentário