TEMER USA REFIS NA COMPRA DE VOTOS
PARA REFORMAS
A colunista
Tereza Cruvinel revela como Michel Temer resolveu comprar votos de empresários
e ruralistas do Congresso, para que eles aprovem reformas rejeitadas por quase
100% da população, perdoando suas dívidas fiscais; no "Refis do
Temer", as multas são reduzidas em 99% e o prazo para que os parlamentares
paguem suas dívidas chega a 240 meses; "A opção do governo Temer foi por
um ajuste fiscal que penaliza os mais pobres, congelando o gasto público com
serviços essenciais, como educação e saúde, que serão ainda precarizados nos
próximos anos (se o desastre prosseguir, queira Deus que não) e retirando
direitos trabalhistas e previdenciários. E perdoando grandes devedores para
atender aos deputados que aprovaram as reformas. Este é o 'bananão' em que
estão transformando o Brasil", diz ela
por Tereza Cruvinel
Na noite desta
quarta-feira, 3, o toma-lá-dá-cá foi sincronizado. Enquanto os deputados
aprovavam a reforma previdenciária na comissão especial, e a polícia
legislativa, contemplada com regra especial, jogava gás de pimenta nos
agentes penitenciários que pediam o mesmo, a comissão mista (deputados e
senadores) da Medida Provisória 766 aprovava o maior perdão de débitos fiscais
já havido no país. É o “Refis do Temer”, que concede redução de até 99% no
valor das multas e encargos e prazos de até 240 meses para quitação parcelada.
Muitos parlamentares serão beneficiados, ou quando não diretamente eles,
empresários de suas relações. O relator, Newton Cardoso Filho, será será
premiado om redução de até 90% nas dívidas de empresas de sua família, que
somam R$ 67 milhões.
A votação relâmpago aconteceu enquanto todas as atenções estavam
voltadas para a ba-fa-fá da reforma previdenciária. O relator fez muitas
alterações, admitindo por exemplo, a redução de dívidas com autarquias e fundações,
além dos tributos devidos a Receita Federal. Permitiu ainda que os débitos,
depois de reduzidos, sejam pagos com imóveis e precatórios. Segundo a colunista
Lydia Medeiros, de O Globo, “muitos escritórios de advocacia especializados em
tributação ficaram surpresos com o pacote de bondades incluído no "Refis
do Temer",” e consideram que derivaram das negociações para aprovar as
reformas. Ou seja, da compra de votos.
A conexão
entre a aprovação do Refis e a das reformas trabalhista e previdenciária
é segredo de polichinelo nos corredores do Congresso. Achilles Frias,
presidente do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional –
SINPROFAZ, é um dos que denuncia a imoral compra de votos com dinheiro do
erário e a escrachada atuação do relator;
- Em um país
sério, um grande devedor, sendo parlamentar, nem sequer votaria uma Medida
dessas. No Brasil, um deputado que é grande devedor, que deve mais de R$ 67
milhões à União e que é da base do Governo, foi designado para relatar a MP
766, que prestigia o mau pagador em detrimento do bom. Newton Cardoso
autoconcedeu 99% de descontos para suas próprias dívidas com a União.
Os Procuradores da Fazenda Nacional são constitucionalmente
responsáveis pela cobrança da Dívida Ativa da União. Eles concentram seu
trabalho nas cobranças acima de R$ 1 milhão, ou seja, nas dívidas de grandes
devedores. Eles afirmam, porém, que a carreira dos Procuradores da Fazenda
Nacional está sucateada e sobrecarregada, que os sistemas de informática
utilizados são ultrapassados e que não há carreira de apoio.
O “Refis do
Temer” e o sucateamento da Procuradoria da Fazenda Nacional são evidências de
que o atual governo não tem interesse na cobrança dos grandes devedores. A
opção do governo Temer foi por um ajuste fiscal que penaliza os mais pobres,
congelando o gasto público com serviços essenciais, como educação e saúde, que
serão ainda precarizados nos próximos anos (se o desastre prosseguir, queira
Deus que não) e retirando direitos trabalhistas e previdenciários. E perdoando grandes
devedores para atender aos deputados que aprovaram as reformas. Este é o
“bananão” em que estão transformando o Brasil.
Fonte: BRASIL 247 04 de maio 2017
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 05.05.2017 11h11m
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