BRASIL DE TEMER
VIOLA CONVENÇÕES DA OIT RATIFICADAS PELO PAÍS
por Ana Prestes
Desde o último dia 05 de maio sabe-se que o Brasil figura em
lista preliminar do Comitê de Peritos da Organização Internacional do Trabalho
(OIT) por violação à convenção 98 ratificada pelo país em 1952. Em comunicado
para todos os países membros da OIT, a diretora do Departamento Internacional
de Normas da OIT, Corinne Vargha, divulgou uma lista preliminar de países com
casos de violações a normas e convenções trabalhistas que serão analisados na
próxima Conferência Internacional do Trabalho (CIT) a ser realizada em junho de
2017 em Genebra.
Desde
fevereiro comentava-se que o Brasil poderia aparecer na lista, quando a OIT
divulgou relatório do Comitê de Peritos em que analisa a aplicação das
Convenções 98 e 154 no Brasil e comenta a proposta de introduzir no ordenamento
jurídico brasileiro a prevalência
do negociado sobre o legislado para estabelecer condições abaixo das previstas
em lei. A OIT percebeu que o propalado efeito modernizante do "negociado
sobre o legislado" virá às avessas e servirá para prejudicar trabalhadores
e não para melhor sua condição no já selvagem mercado de trabalho. Os
comentários do relatório não deixam dúvidas sobre os efeitos negativos da
Reforma Trabalhista ao violarem as citadas convenções.
Desde 2006, a
OIT adotou a prática de divulgar uma lista preliminar de casos a serem
analisados por sua Conferência Internacional. São denúncias formuladas pelos
assim denominados "social partners" ou parceiros sociais da OIT -
mais de 500 entidades sindicais e patronais – e apresentadas pelo Comitê de
Peritos. A lista final é apresentada pelo Comitê Organizador da Conferência na
véspera desta. A lista preliminar serve principalmente para notificar os
governos dos países citados para que possam preparar suas intervenções perante
o Comitê de Peritos que discutirá os casos durante a conferência. A lista não
pode ser usada para causar nenhum tipo de pressão ou constrangimento contra
organizações denunciantes, sejam de trabalhadores ou patronais, dos países
listados. Vejamos como isso se dará no Brasil.
No atual
Brasil de ataques à democracia e aos trabalhadores, o que esperar em relação a
mais esse constrangimento internacional da nação? Caso seja aprovada, a Reforma
Trabalhista que o Governo Temer pretende entregar ao mercado violará ainda
outras convenções da OIT ratificadas pelo Brasil. Como a convenção 144, por
exemplo, que trata da promoção de
consultas a toda a sociedade em matérias legislativas referentes ao mundo do
trabalho. Em nota técnica de número 5, divulgada em 19 de abril, o Ministério
Publico do Trabalho já alertava: "Há notícias de tramitação da proposta
com incomum celeridade, não permitindo que a população sequer compreenda todas
as repercussões que serão geradas nas relações de trabalho. A proposta contida
no substitutivo em nenhum momento foi submetida a debate, seja no Parlamento,
seja com a sociedade".
Em uma
corrida maluca pela desproteção dos trabalhadores e proteção do mercado,
simbolizado pelo empresariado fiespiano que financiou o golpe, certamente o
Governo Temer não fará muito caso de mais esse constrangimento internacional a
que submete o país. No máximo apresentará seu argumento da necessidade de
modernização da legislação trabalhista frente a parâmetros arcaicos, no mesmo
semestre em que a OIT visita o Brasil para obter informações sobre reincidentes
casos de trabalho escravo no país. Durma-se com um barulho desses.
Cientista social e doutora em Ciência Política pela UFMG.
Assessora técnica da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público
da Câmara dos Deputados
Fonte: BRASIL 247 16 de maio de 2017
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 17.05.2017 11h50m
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