1º DE OUTUBRO, DIA PANAMERICANO DO VENDEDOR VIAJANTE
A TI, VENDEDOR
No princípio, a égua-madrinha vinha à frente,
anunciando a tropa. Lá vinha, pela estrada poeirenta, o almocreve.
Uma encomenda de uma peça de tecido aqui, duas
dúzias de chapéu coco para o armazém ali, uma caixa de bala para o coronel.
Tudo entregue e, de novo, pela estrada
poeirenta, lá vai o almocreve seguindo seu caminho.
Depois, veio o mascate.
A seda é a melhor da China, garante ele.
Botões de madrepérola, asseguro. Foi o melhor óleo de cabelo que consegui na praça.
E o linho é 120 Taylor, pode ficar tranquilo.
No encontro transformado em amizade, o velho
mascate, de pesadas malas às costas, visitava cidades, vilas, povoados,
fazendas distantes, distantes distâncias.
As estradas foram asfaltadas. Os vizinhos se aproximaram
tanto, que os caminhos foram encurtados.
O almocreve sumiu. Sumiu o
mascate. Nasceu o viajante. Surgiu o Vendedor.
A peça de tecido foi substituída pelo trator.
A caixa de bala, pela máquina de escrever. Os botões de madrepérola são
computadores comercializados nos grandes centros.
Mas o ideal é o mesmo. Se há
compradores, é necessário você, Vendedor.
E, na dura estrada da vida, continuas cruzando
os caminhos, atendendo com o mesmo sorriso a todos, lembrando toda uma tradição
que se moderniza, mas não pode deixar de existir.
A ti, Vendedor, nossa homenagem.
Wilson Maux (1937-2011) foi jornalista, poeta, professor e escritor.
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