APÓS REFORMA TRABALHISTA, SITE DO GOVERNO ENSINA
COMO ARRUMAR ‘BICO’
A um mês de a reforma trabalhista entrar em vigor, o governo federal já mostra a que veio a nova legislação e começa a incentivar o "bico" – provavelmente um dos efeitos mais fortes que a reforma vai trazer; "Mercado de trabalho: cinco dicas para conseguir um emprego temporário", diz a manchete da matéria em destaque no site do governo federal; Brasil possui mais de 13 milhões de desempregados e a crise decorrente das políticas econômicas do governo Michel Temer não dá mostras de retração, a despeito do discurso oficial; reportagem da Revista Fórum
A reforma trabalhista sancionada recentemente pelo governo Temer
entra em vigor em novembro. Ao longo de sua tramitação no Congresso, inúmeros
especialistas apontaram que a nova legislação vai retirar inúmeros direitos
previstos na CLT e vai precarizar o trabalho.
Entre as
principais mudanças da reforma trabalhista, está a rescisão do contrato de
trabalho de "comum acordo" entre empregado e empregador. Com mais
flexibilidade para mandar funcionários embora, os patrões podem, com a nova
lei, investir cada vez mais em contratações temporárias, que também são
facilitadas pela reforma. Além disso, o governo sancionou recentemente e lei da
terceirização irrestrita, que permite a qualquer empresa terceirizar até mesmo a
sua atividade-fim.
Ambas as
mudanças abrem caminho para uma precarização ainda maior do trabalho e, de
acordo com especialistas, representa praticamente o fim da CLT.
"A
reforma não vai gerar emprego. O próprio governo não tem apresentado dados que
garantam isso. Vai gerar na verdade a precarização do trabalho", já
alertava, em março deste ano, Ângelo Costa, presidente da Associação Nacional
dos Procuradores do Trabalho (ANPT).
A um mês de a
reforma trabalhista entrar em vigor, o governo federal já mostra a que veio a
nova legislação e começa a incentivar o "bico" – provavelmente um dos
efeitos mais fortes que a reforma vai trazer.
"Mercado
de trabalho: cinco dicas para conseguir um emprego temporário", diz a
manchete da matéria em destaque no site do governo federal. Ao lado, outra
matéria tenta vender a ideia de que a reforma trabalhista é boa para os
brasileiros. "Nova legislação trabalhista mantém direitos", diz o
site.
A reforma trabalhista de Temer, inclusive, será tema de uma
audiência pública da OEA neste mês. A audiência veio como uma resposta à
denúncia de centrais sindicais contra a nova legislação imposta pelo governo
brasileiro sem debate com a sociedade.
"Nós
defendemos a concepção de direitos humanos que envolve também direitos
econômicos, sociais e ambientais, além das liberdades individuais. Tudo que
integra a vida do ser humana. Ao acatar essa denúncia, a Comissão
Interamericana entende também que procede nossa denúncia de que a Reforma
Trabalhista pode violar direitos humanos e não apenas direitos
trabalhistas", afirmou Jandyra Uehara, secretária de Políticas Sociais e
Direitos Humanos da CUT.
Fonte: BRASIL 247 - 05 de outubro 2017 - 10h22m
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE - 05.10.2017 - 14h00m
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